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Terça-feira ,7 Dezembro, 2021
Artigos de Opinião

Quando deixaremos de ser tratados como “carne para canhão”?

Demorei uma eternidade de minutos até começar a escrever algumas linhas sobre o assunto que aqui me traz hoje. A dificuldade deveu-se sobretudo à transversalidade do tema que infelizmente assenta em raízes profundas e que provavelmente várias gerações não conseguirão eliminar.

Ao ler esta semana o nosso muito prestigiado jornal Correio do Ribatejo, fui recordar uma entrevista dada ao Portal de Alcanede pelo presidente do Centro Social Serra do Alecrim, Manuel João Inácio datada de Fevereiro deste ano. Já nessa altura, aquele responsável lamentava o atraso da ligação à rede da EDP para que aquela IPSS abrisse as suas portas e a verdade é que já passou um ano.

Em causa e com obras concluídas, está um lar de idosos, apoio domiciliário, centro de dia e uma creche. Mas como se tudo isto fosse coisa pouca, em suspense estão cerca de 40 trabalhadores, com a agravante do espaço já ter sido licenciado pela autarquia e de ter sido considerado de interesse municipal.

Como o assunto se arrasta há mais de um ano é lícito o leitor perguntar:

– Deveriam os técnicos e responsáveis da Rede e Clientes Tejo da EDP serem responsabilizados?

– Deveria esta gente receber parte de um ordenado dos lucros de 342 milhões angariados só nos primeiros três meses de 2011 pela EDP?

– Deveriam ficar impedidos de voltarem a ter qualquer tipo de responsabilidades públicas?

– Deveriam estas pessoas serem obrigadas a cuidar dos cerca de 130 eventuais utentes e a pagar os ordenados dos trabalhadores que aguardam pacientemente uma decisão da EDP?

– Deveriam estes senhores irem para as calendas mais longínquas de maneira a que ninguém se lembrasse deles?

A todas estas questões (excepto a segunda) eu responderia… Sim. Todos, sem excepção, deveriam ser responsabilizados por incompetência, desleixo e falta de visão estratégica e responsabilizados judicialmente por graves prejuízos a uma instituição particular de solidariedade social da nossa freguesia.

Mas como o caso, ironia à parte, é uma coisa sem importância nenhuma, direi à semelhança de outras vergonhosas situações… que a luz virá, mas só depois de um histórico de pobreza, falta de dignidade e incúria com consentimento de um povo habituado a ser recorrentemente “carne para canhão”.

NOTA: No antigo site do Portal esta página foi lida 267 vezes

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