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Domingo ,25 Fevereiro, 2024
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Emoção, alegria e confraternização na abertura da renovada Igreja Matriz de Alcanede

Foram centenas de fiéis, oriundos de todos os lugares da nossa freguesia, que encheram por completo, no dia 4 de fevereiro de 2024, a requalificada Igreja Matriz de Alcanede. Após quase 4 anos fechada ao público, a reabertura do templo foi marcada pela emoção, alegria e confraternização de toda a comunidade paroquiana de Alcanede.

A concentração teve lugar na Capela da Misericórdia de Alcanede, local que foi “Matriz” durante todo o tempo em que duraram as obras, seguindo-se uma procissão simbólica até à Igreja Matriz, onde já muitas pessoas esperavam a chegada da imagem de Nª. Sª. da Purificação, padroeira da paróquia e da vila de Alcanede, no regresso à casa mãe.

A missa foi presidida pelo Bispo da Diocese de Santarém, que deu graças a Deus “por este momento tão feliz, e peço a Deus que recompense todos aqueles que enfrentaram o desafio do restauro desta Igreja”, disse. O prelado fez questão de expressar o seu reconhecimento e “agradecimento por esta belíssima e grande festa à comissão que assumiu as obras da Igreja”, dizendo ficar com a sensação “de que o restauro da Igreja corresponde ao restauro da identidade desta paróquia e desta freguesia. Tem a ver com a identidade de uma terra por inteiro, recupera-se a Igreja e recupera-se por dentro a alegria de todos”, referiu D. José Traquina.

Despesas orçadas em cerca de 395.000€ e receitas em cerca de 374.000€

Coube a Délio Piedade, em nome da Comissão Fabriqueira, falar sobre os valores referentes às obras de requalificação da Igreja Matriz, fazendo simultaneamente um apanhado de todo o processo.

Délio Piedade começou por agradecer a “participação e contributo de todos que tornaram possível a descoberta, recuperação e defesa do nosso património, desde as empresas, baldios, pessoas anónimas, Câmara Municipal de Santarém, Junta de Freguesia de Alcanede e, principalmente, de toda a nossa comunidade”.

Lembrou que o trabalho realizado foi exaustivo, “desde o telhado até às fundações, quer interior quer exterior. Estes quase 4 anos em que a nossa Matriz esteve fechada, conseguimos fazer muito do previsto, no entanto os imprevistos foram muitos, mas isso traduziu-se em aumentar a nossa riqueza cultural e patrimonial”, disse.

As fundações exteriores mostraram um enorme leque de achados, “mas um enorme aumento de despesas. O mesmo aconteceu no interior, com diversas surpresas nos arcos, nos retábulos, no guarda vento e nos azulejos”, mas, ainda assim, “entendemos que seria o momento de enaltecer toda a história que a nossa Igreja nos guardava”, referiu.

O porta-voz da Comissão Fabriqueira elencou, ponto por ponto, os principais trabalhos realizados ao longo da reconstrução, lembrando a complexidade de alguns trabalhos muito minuciosos, ressalvando que “as contas ainda não estão fechadas. Nós tivemos aqui obras até ontem e alguns pormenores ainda não estão 100% terminados. Nas próximas semanas, todas as contas, ponto a ponto, cêntimo a cêntimo, vão ser aqui publicadas e ficarão disponíveis para quem queira ver”, afirmou.

Délio Piedade avançou com três valores, um dos quais relativo ao dinheiro angariado por Alcanede, “o valor de todas as comunidades foi sendo divulgado regularmente, mas de Alcanede ainda não, porque foram fazendo eventos sucessivos. Alcanede angariou 32, 685€”. Em relação às receitas, o valor angariado foi de “374.000€, desde entidades, desde empresas, desde autarquias, toda a população, empresas que preferem manter anonimato, 374.000€”, esclareceu. No que respeita às despesas, “o valor aproximado é de cerca de 395.000€. Ou seja, como podem verificar, este projeto achamos que correu extremamente bem, mas ainda temos uma necessidade de mais ou menos 21.000€ para podermos colmatar todas despesas”, daquilo que a comissão considera ser a primeira parte do projeto de requalificação, “que passava por consolidar a estrutura da Igreja”.

Concluída esta fase, a Comissão tem ainda em mente outros objetivos, “se voltarmos a sentir apoio da nossa comunidade e entidades, iremos prosseguir com uma segunda parte do projeto, nomeadamente o nosso espaço museológico, com todas as relíquias encontradas, e a demonstração dos passos do processo de recuperação. Temos também como objetivo, a criação de um livro com a história, as fotografias, as descobertas e a demonstração da nossa identidade cultural”, disse.

Junta de Freguesia de Alcanede vai continuar a apoiar a causa

No uso da palavra, o Presidente da Junta de Freguesia de Alcanede disse que “devemos estar muito contentes por este dia e pelas obras estarem concluídas”, destacando que ao longo de todo processo “uma parte muito importante foi o convivio. Foi as pessoas conviverem e juntarem-se em todos os locais para se conseguir chegar a estes números, o que muita vez não é fácil”, agradecendo a todos os que contribuíram para as obras da Igreja Matriz, e deixando a certeza de que a Junta de Freguesia vai continuar a apoiar a causa, “visto que ainda falta algum dinheiro, a Junta com certeza que irá contribuir com mais uma pequena parte para conseguir saldar o que falta”, disse Manuel Joaquim Vieira.

Município de Santarém compromete-se a pagar os valores que faltam saldar

Ricardo Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal de Santarém, começou por dizer que o dia da reabertura da Igreja Matriz de Alcanede “é um dia de grandes emoções”, agradecendo a toda a comunidade envolvida na concretização deste “sonho”.

O autarca foi perentório e deixou a promessa a todos os presentes que o apoio da autarquia é para levar até ao final, “nós, município de Santarém, temos ajudado e continuaremos a ajudar. Eu falava com o Sr. Presidente da Junta, e o Sr. Pe. Vicente já tinha falado connosco, e não haverá dificuldades, aquilo que faltará saldar o Município de Santarém não deixará de colocar esses montantes que sejam necessários. À comissão, ao Sr. Pe. Vicente, que fique aqui já o nosso compromisso, tudo o que resta saldar, ainda faltam alguns montantes, cá estaremos, haverá outra deliberação e apresentarei aos meus vereadores e com toda a certeza será deliberado”, referiu Ricardo Gonçalves, arrancando uma enorme salva de palmas.

Pe. Vicente comovido ficou sem palavras no dia em que a memória de César Martins foi lembrada

A emoção tomou conta do Pe. António Vicente neste dia da reabertura da Igreja Matriz de Alcanede. O sacerdote não conteve as lágrimas em praticamente toda a cerimónia, nomeadamente quando recordou César Martins, falecido em outubro de 2021, aos 72 anos de idade. Sem palavras, mas de coração cheio, o pároco foi o rosto da felicidade num dia especial.

Simbolicamente a esposa de César Martins, Luísa Martins, foi chamada por Cristina Neves, para que, em nome da comissão, o nome de César Martins fosse relembrado num momento tão importante para a comunidade católica da freguesia de Alcanede.

Lugares e entidades participantes

A freguesia de Alcanede, e não só, esteve representada em peso neste dia histórico para a comunidade cristã com representantes de Alqueidão do Mato, Vale da Trave, Murteira, Barreirinhas, Pé da Pedreira, Valverde, Mosteiros, Xartinho, Mata do Rei, Alqueidão do Rei, Viegas, Vale do Carro, Várzea, Aldeia da Ribeira, Casais da Charneca, Prado, Espinheira, Aldeia de Além, Alcanede, bem como a Irmandade Juvenil e Sénior, Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Alcanede, Padres e Acólitos, Povo, Rancho Folclórico das Viegas, Bombeiros Voluntários de Alcanede e respetiva Fanfarra da corporação que fez a sua estreia pública oficial , elementos das Bandas Filarmónicas de Alcanede e do Xartinho, Escuteiros 1703 da Gançaria.

Almoço partilhado no quartel dos Bombeiros Voluntários de Alcanede

O dia de festa terminou com um almoço partilhado no quartel dos Bombeiros Voluntários de Alcanede, reforçando a confraternização gerada durante todo o processo que levou à requalificação da Igreja Matriz de Alcanede.

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