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Quarta-feira ,14 Abril, 2021
Artigos de Opinião

Portugal ainda tem Gente?!

Na semana passada estive nas Finanças. Local onde cada vez mais de nós tem de ir para tentar tratar e resolver(?!) reais problemas de dificuldades de pagamento de “dívidas” que nos vão dizendo e incutindo que temos de pagar, tenhamos ou não dinheiro para o fazer…
Mesmo que todos tenham perfeita consciência da impossibilidade de muitos (e os funcionários destes serviços têm-na há muito e cada vez mais tentam ajudar no que podem) de fazer outra coisa que não seja deixar “alegremente” seguir tudo para execução fiscal para depois poder vir a ver os seus já normalmente parcos bens serem penhorados, não se abdica duma frieza de ação própria de um país que só pensa nos números e que não se lembra mais que nada faz sentido sem pessoas.

Como é possível ser-se insensível ao ponto de exigir dos reformados valores de IRS completamente incomportáveis e inadequados às imprescindíveis despesas de um simples lar que, pelo menos enquanto não os quisermos matar de solidão e fome, são quase sempre completamente inevitáveis?! Como é possível exigir que quem tem casas, que gradualmente vêm perdendo o seu valor comercial e que quem já não as pode sustentar não as consegue vender e tem praticamente de as doar, pague um IMI não suportável?! Como é possível que, até ao morrermos, tenhamos primeiro de ter quem nos pague o funeral para recebermos largos meses depois o respetivo pagamento da Segurança Social, que não o faz sem o comprovativo de estar tudo completamente pago e saldado?!

E quem somos nós, 10 milhões de portugueses, que continuamos a amedrontarmo-nos com estas ameaças, que, qual criminosos, aceitamos como a nossa “pena” e, pior, a dos outros, sem qualquer revolta, sem qualquer tentativa de ação conjunta e refugiamo-nos mas é na necessidade da nossa (suposta mas só infrutífera) defesa pessoal?

E porque não nos revoltamos? Porque não assumimos que também fazemos parte desse grupo que já não pode suportar a dita austeridade que mais não é do que tortura? Não assumimos porque temos vergonha! Vergonha de um suposto crime que não cometemos! Vergonha de não conseguirmos cumprir as responsabilidades que na realidade são dos outros…

Até quando o faremos?! Até percebermos que já nada temos a perder e que a única opção é unirmo-nos pela mudança. Conhecem outra forma? Eu não… Mas sei também que, acomodados e convencidos de que ainda temos muito a ganhar para nós próprios individualmente ao sermos coniventes com aqueles cuja postura só podemos e devíamos condenar e ajudar a punir, não vamos chegar a lado nenhum. E infelizmente, julgo mesmo que, se nos continuarem a saber “apertar os calos” inteligente e progressivamente, não iremos reagir…

Mas, no fundo, no fundo, ainda tenho uma réstia de esperança de que um dia, finalmente, venhamos a cumprir a canção do Pedro Abrunhosa: “Todos, todos, lá para trás; Queremos pão, queremos paz; Todos, todos lá para trás.”

Francisco Mendes 

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