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Quarta-feira ,19 Janeiro, 2022
Artigos de Opinião

Sonho Africano

África sempre atraiu a raça lusitana, desde os descobrimentos que o salto para o outro continente se tornou uma constante. No tempo da colonização muitos foram os portugueses que deixaram o seu país em busca de um sonho, de uma vida melhor ou simplesmente de uma vida diferente.

A guerra e posteriormente a independência das colónias obrigaram ao regresso forçado. Foram milhares os que deixaram a pátria adoptiva para regressar a uma pátria madrasta, porque quem por cá ficou não soube, nessa altura, receber quem voltou. Vidas desfeitas, malas vazias, sonhos perdidos. Retornados.

O estigma de África durou anos, mas com o fim da guerra, veio a estabilidade política, o crescimento económico, o desenvolvimento e… uma nova vaga de sonhos.

Alcanede assistiu outrora e assiste hoje, novamente, à partida de alguns dos seus filhos, aliciados por salários melhores, capazes de resolver problemas de quem vai e de quem por cá permanece. Muitos foram os que fizeram as malas com roupa e saudades e partiram para o desconhecido. Mas a coragem de quem parte é igual á que de quem deixa partir. África, continente próspero e perigoso, aliciante e sobretudo distante, tão distante que permite confundir distância com ausência e ausência com liberdade. As vidas duplas acontecem, desculpadas por uma consciência que se sente órfã e longe de casa.

E feitas as contas os casos variam, há os que por lá fazem riqueza e os que ficam mais pobres, os que se deslumbram e os que se repugnam, os que querem ficar e os que têm pressa de voltar. Seja como for, vamos ver se desta vez somos capazes de apoiar quem vai, não julgar quem volta e acima de tudo compreender quem arriscou conhecer outra realidade.

Fotos: Fátima (Província de Malange)

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