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Domingo ,11 Abril, 2021
Entrevistas

Manuel Joaquim Vieira: “Há muito que a freguesia não estava tão unida”

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mvieiraEntrevista a Manuel Joaquim Vieira – Presidente da Junta de Freguesia de Alcanede.


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Portal Alcanede (P A) – Quais são no seu entender os principais constrangimentos de uma junta de freguesia, sobretudo quando é de domínio público que o dinheiro não abunda?

Manuel J Vieira – A base principal para o desenvolvimento de uma freguesia é o investimento, e este é impossível se não houver suporte financeiro; a situação do País não nos dá grandes alegrias em termos de investimento, pois como sabemos com a actual crise há uma quebra significativa das receitas, quer das Câmaras Municipais quer do Governo e corremos o risco de algumas candidaturas que estamos a preparar não serem aprovadas, o que será uma pena pois trariam uma grande melhoria à rede viária da Freguesia com um investimento previsto na ordem dos 500.000 euros…mas não podemos perder a esperança

P A – Em termos de delegações de competências, considera que se poderia ir mais além? Sobretudo em que áreas?

Manuel J Vieira – Temos um protocolo com a Câmara Municipal de Santarém que é dos melhores do País, não só nós, mas todas as Freguesias do Concelho, é certo que aspiramos sempre mais, mas isso implica maior número de funcionários e mais verbas o que não é possível. Entendo que a C.M.S. tem seguido o caminho certo através da criação de empresas municipais que fazem a gestão dos diversos serviços.

P A – Qual é o orçamento da Junta?

Manuel J Vieira – A J.F.A. Tem um orçamento na ordem dos 500.000 Euros, que no ano de 2008 chegou quase a 1milhão de Euros. Este ano tem uma execução de cerca de 800.000 Euros.

Para 2010 se as candidaturas forem aprovadas poderá chegar a 1Milhão de Euros. Temos atingido quase todos os anos este valor porque tem sido nossa preocupação aproveitar o máximo de fundos comunitários: nestes 8 anos de mandato fizemos 12 candidaturas das quais 8 foram aprovadas e executados os trabalhos sendo esta a razão do investimento ser maior.

P A – É vantajoso, no seu entender, a cor política da freguesia ser igual à da câmara?

Manuel J Vieira – Em termos de diálogo, é com certeza, mas com o Dr. Moita Flores como presidente, tem havido uma maior justiça na divisão do «bolo», não havendo discriminação pela cor política, o que muito me apraz por ser um princípio de louvar.

P A – Tem pela frente mais 4 anos de mandato à frente dos destinos da Junta de Freguesia. Considera possível concretizar todas as medidas avançadas no último manifesto eleitoral?

Manuel J Vieira – Tenho consciência de que nos esperam anos difíceis; o que incluímos no manifesto eleitoral constitui um conjunto de intenções que gostaríamos de concretizar a 100% mas também todos sabemos que sem receitas não há investimento. Uma coisa posso garantir a quem confiou no nosso projecto, tudo faremos para que o desenvolvimento da Freguesia continue, para que o futuro seja melhor.

P A – No seu entender, quais são as obras prioritárias?

Manuel J Vieira –  Há dois tipos de obras prioritárias na Freguesia: as da competência da C.M.S. ou Empresas Municipais e as da competência da J.F.A.

O maior investimento da competência da C.M.S. é sem dúvida o saneamento Básico, a revisão do PDM e a construção das Piscinas. Da competência da J.F.A. é a continuação das obras do espaço desportivo, criando as condições necessárias para a prática dos diversos desportos e lazer a que o espaço se destina.

Também se as candidaturas forem aprovadas, o alcatroamento das 4 estradas a que nos candidatámos.

P A – O que é possível adiantar nesta altura em relação a todo o processo do saneamento básico?

Manuel J Vieira – O saneamento Básico irá ter início brevemente com a criação da Empresa Águas de Santarém ficam criadas as condições para o início do mesmo.

P A – Já há localização para a futura Etar?

Manuel J Vieira – O terreno já foi adquirido e feita a escritura em nome da Empresa atrás referida e que irá gerir este projecto.

P A – Quando se fala em saneamento básico, estamos a falar do núcleo urbano da Vila, ou a ideia é estender o saneamento aos lugares?

Manuel J Vieira – Irá ser feito por fases, sendo que a 1ª fase, já em condições de se iniciar engloba Alcanede, Alqueidão do Mato, Aldeia de Além, Mosteiros e parte de Vale do Carro. A 2ª fase está em fase de Projecto e engloba Xartinho, Mata do Rei, Viegas, Alqueidão do Rei e parte de Vale do Carro.

P A – Podemos ter a Ponte Romana e a Fonte à semelhança dos bons velhos tempos, no futuro?

Manuel J Vieira – Em termos de espaço temos acautelado a sua manutenção com a colocação de duas mesas em pedra e o calcetamento da rua até à última habitação. Temos a intenção de, em 2010 fazer a recuperação da Fonte. Tudo o resto só poderá acontecer com a protecção de todos em manifesta demonstração de verdadeira cidadania.

Quanto a banhos…não há condições sanitárias; nunca se obteria autorização para o seu funcionamento pois neste momento as condições exigidas são muito maiores; também a água que nasce no fundo do rio já é poluída e é impossível de vedar; o açude que fazia o espelho de água também já não existe e foi retirado por prejudicar os espaços em redor.

A limpeza do espaço é feita regularmente, como já disse anteriormente, foram lá colocadas mesas, o rio ainda há dois anos foi limpo e a fonte será reabilitada no próximo ano…depois contamos com o civismo de todos…

P A – Com uma freguesia de grandes dimensões como a nossa, admite que há alguns lugares que acabam por sofrer pela falta de investimento?

Manuel J Vieira –  Ao longo destes anos temos tido o cuidado de tratar todos por igual. O resultado das últimas eleições demonstra isso mesmo, pelo que iremos continuar sempre no mesmo sentido – com imparcialidade.

P A – A história diz-nos que gradualmente fomos perdendo influência, fomos concelho deixámos de o ser, éramos uma freguesia bem maior, deixámos de o ser? Como se não bastasse, ainda hoje ouvimos timidamente a vontade de desagregação das populações de alguns lugares, isto é indício de uma falta de união no seu entender?

Manuel J Vieira –  No meu entender considero que há muito que a Freguesia não estava tão unida! Tenho consciência que o trabalho desenvolvido no Desporto, Associativismo, Expo-Alcanede, entre outros, tem unido mais as pessoas. Há uma ligação muito maior entre as pessoas dos diversos lugares. Com a realização do Almoço de Natal dos Idosos, descentralizado pelas diversas Associações da Freguesia, conseguimos juntar pessoas de todos os lugares, algumas das quais que já não se encontravam desde há muitos anos atrás.
Para os mais novos o Torneio da Freguesia de Alcanede possibilita a criação de equipas de jovens dos diferentes lugares, proporcionando um convívio muito salutar entre todos.

Faço questão e tenho grande prazer em conviver com todas as terras, visitando-as e participando nas suas realizações locais; penso que tem sido grande o contributo para a união da Freguesia de Alcanede.

PDM

P A – O nosso bem conhecido PDM (Plano Director Municipal) de que forma tem contribuído para um desenvolvimento mais lento da nossa freguesia?

Manuel J Vieira – Tem tido um efeito bastante negativo com jovens a abandonar a Freguesia e algumas empresas a fixarem-se noutros Concelhos – é grave! Esperamos que este ciclo esteja a terminar.

P A – Acredita que a tão falada revisão do PDM, vai ser o passo decisivo para o desenvolvimento da freguesia?

Manuel J Vieira – Vai trazer certamente muitos benefícios que se traduzirão numa grande melhoria.

P A – No seu entender que aspectos relevantes devem estar contemplados, nessa revisão?

Manuel J Vieira – Devem ser anuladas zonas REN e RAN que se encontram dentro das povoações; também é necessário proceder ao alargamento das zonas industriais Norte e junto á empresa “Carnes Valinho” bem como a criação de infra-estruturas nas mesmas.

P A – Se olharmos para ou últimos censos, verificamos que Alcanede pode vir no futuro a perder população, se não se arranjar formas de fixar pessoas, até porque a tendência é para uma população mais envelhecida?

Manuel J Vieira –  O perder população é um fenómeno nacional geral das zonas rurais do interior mas Alcanede encontra-se numa zona geográfica que pode contrariar esta tendência se conseguirmos a fixação de novas empresas, a criação de melhores condições de vida, com melhores infra-estruturas, melhores Serviços, melhores escolas, tentar uma maior diversidade de indústrias para não estarmos dependentes dum só determinado tipo de entidade empregadora e assim resistir melhor às crises que possam surgir.

ZONA DESPORTIVA

P A – A nova zona desportiva de Alcanede é uma das obras que mais se orgulha?

Manuel J Vieira – Não considero que seja a obra de que mais orgulho mas é sem dúvida uma delas. Tem sido uma grande preocupação nossa, dar aos jovens as melhores condições para a prática desportiva pois em «corpo são…mente sã». Começamos por recuperar o campo de futebol dos Bacelos, instalámos a iluminação, construímos o parque de jogos em Aldeia da Ribeira e agora lançámos a grande construção deste espaço em Alcanede. Não considero ser uma questão de orgulho mas sim um grande prazer, pois é muito gratificante ver todos os dias grupos de 20 ou 30 pessoas, que mesmo sem os trabalhos estarem concluídos, o estão a utilizar, por vezes até com condições atmosféricas adversas.

P A – Quando dará por concluídos os trabalhos?

Manuel J Vieira – Vamos avançando consoante as nossas possibilidades económicas, mas temos um projecto bem definido que quando estiver concluído será um espaço único na região, não só pelas suas valências, mas também pela sua localização, uma das mais bonitas da região.

P A – Além de eventos desportivos, dá a sensação que a zona pode ser rentabilizada de outras formas, nomeadamente com a realização de espectáculos musicais. É algo que tem previsto?

Manuel J Vieira – Seria uma pena não dotarmos aquele espaço de um palco podendo assim aproveitar a grandeza do espaço para espectáculos ao ar livre mas também para outros fins, tais como a preparação física, pois é bastante grande e temos duas escolas situadas naquela zona.

P A – E o futuro gimnodesportivo é para concretizar quando?

Manuel J Vieira – Durante o ano de 2010 tem de estar concluído, está tudo preparado para isso;

P A – E as piscinas?

Manuel J Vieira –  As piscinas são a grande obra que pedimos à Câmara para este mandato. Inclusivamente já solicitámos que se faça a curto prazo um estudo de viabilidade económico para as mesmas. Temos muitas famílias a deslocarem-se aos concelhos limítrofes com os seus filhos para a aprendizagem e prática de natação e com o Centro Escolar e a Escola EB2,3 na Vila, poderá também ser utilizada em contexto de aula pois todas as semanas se deslocam alunos e professores às piscinas de Santarém. Podem igualmente usufruir deste complexo outros alunos do Agrupamento de Escolas pois este é constituído por mais de 900 alunos pelo que esta será uma infra-estrutura de sucesso.

CASA MORTUÁRIA

P A – Para quando a casa mortuária no terreno do antigo posto médico?

Manuel j Vieira – É uma obra necessária na nossa terra. Mexe com os sentimentos das pessoas em momentos de maior fragilidade emocional, pelo que antes de avançarmos com o projecto ouviremos a população de Alcanede, trocando pontos de vista quanto à sua localização bem como quanto a outros aspectos que venham a surgir. É uma obra que, pela sua natureza, deve obter o maior consenso possível da população.

CASTELO

P A – Os constantes actos de vandalismo feitos ao nosso Castelo, estamos em crer, são uma preocupação para a junta de freguesia. De que forma é que a junta materializa essa preocupação?

Manuel J Vieira – Sim, é uma preocupação… é um remar contra a maré; sinto-me triste por isso. Foi feita uma grande intervenção no espaço envolvente do castelo, ver essas estruturas vandalizadas é uma pena… é o nosso dinheiro que está a ser destruído! Cada projector custa cerca de 200euros e a Junta de Freguesia já lá colocou muitos (18); não é possível economicamente manter esta situação e por isso há vários meses que o nosso Castelo se encontra às escuras. Mas para além do aspecto económico já referido, sentimos que quem destrói está a violar um bem de todos, pelos quais sentimos afecto pelo que consideramos uma violação de um bem muito importante para todos.

P A – Os autores destes actos condenáveis estão identificados? Alguma vez foram identificados?

Manuel J Vieira – Ninguém foi apanhado em flagrante…há suspeitos…vândalos que esperamos que amadureçam e que cresçam mais um pouquinho em maturidade, e deixem os Alcanedenses e quem nos visita usufruir da beleza do nosso Castelo.

P A – São jovens? São da nossa freguesia ou não?

Manuel J Vieira – Sim. São jovens…como não foi nenhum apanhado em flagrante, não devo dizer mais…mas ainda numa noite recente ao ouvirmos sons estranhos nos deslocámos ao Castelo e lá os encontrámos…

P A – Na sua opinião o que se deve fazer para acabar de vez com esta espécie de terrorismo gratuito ao nosso monumento mais emblemático?

Manuel J Vieira – Ser proibida a circulação de carros e pessoas a partir do pôr-do-sol, salvo em casos excepcionais a veículos especiais, tais como Bombeiros, Forças de Segurança, Autarquia, serviços Municipalizados, etc.

P A – Apesar de o castelo não ser da competência da junta, considera ou não, que é urgente, digamos assim “humanizar” o mesmo, talvez com o recurso a um espaço concessionado? Uma casa de Madeira como se vê por exemplo nas praias e que são totalmente amovíveis?

Manuel J Vieira – Tudo o que for intervencionado na área do Castelo terá de ter o parecer de especialistas na matéria para que não se crie um erro ao corrigir outro. Mas será bem-vindo tudo o que beneficiar, respeitando o passado sem o descaracterizar.

P A – A junta de freguesia e a Câmara de Santarém acha que têm condições para avançar com uma proposta junto da administração, no sentido de tornar isto possível?

Manuel J Vieira – É preciso não esquecer que os terrenos em volta do Castelo são pertença de proprietários privados o que dificulta mais as coisas, mas não significa que não possam ser equacionadas soluções.

P A – Ainda assim o peso institucional da Junta de Freguesia e da Câmara de Santarém poderiam ser decisivos neste processo?

Manuel J Vieira – Certamente. Já agora colaboramos e partilhamos arranjos e outros aspectos pelo que estamos certos que o nosso contributo terá algum peso.

JUVENTUDE

P A – Sabemos que é sempre difícil agradar a tudo e a todos, é uma tarefa complicada particularmente quando se está a gerir uma freguesia. No entanto, considera que a população, em especial os mais jovens, se revêem na política da junta de Alcanede?

Manuel J Vieira –  Penso que sim. Realizamos reuniões periódicas com as Associações e na sua maioria são os jovens que estão nas suas direcções. Aí trocamos opiniões, ouvimos os seus anseios, discutimos assuntos de interesse para a freguesia. É com prazer que reconheço que sempre que tenho solicitado a sua colaboração, a tenho tido; quero que tenham consciência que os admiro e compreendo as suas aspirações.

P A – Os jovens são participativos nos assuntos que dizem respeito à freguesia? Envolvem-se?

Manuel J Vieira – São participativos e envolvem-se. Temos hoje uma juventude muito activa – Parabéns!Como poderíamos fazer alguns eventos se os nossos jovens não fossem activos, tais como: Expo-Alcanede, Torneio de Futebol, Desfile de Carnaval, Festa do Idoso – em que são nossos parceiros primordiais.

P A – Lida bem com as criticas?

Manuel J Vieira – Penso que sim. A crítica quando construtiva é sempre bem-vinda. Gosto de fazer uma gestão participada e sempre procurei ouvir as pessoas; incomoda-me o desinteresse pelas nossas coisas, pela nossa Freguesia e o por isso gosto de ouvir outras opiniões, outras ideias que favoreçam o diálogo e mostrem que são cidadãos de direito.

P A – Actualmente que parcerias ou protocolos existem com as varias instituições da freguesia, no sentido de em conjunto, criarem mais e melhor desenvolvimento?

Manuel J Vieira – Não há protocolos fixos ou específicos mas há uma grande interacção, há um bom entendimento, um bem-estar com as Associações e outras Instituições de acordo e ajuda mútua.

P A – Aproveitando esta quadra natalícia, gostaria de deixar alguma mensagem em particular aos cidadãos de toda a freguesia?

Manuel J Vieira – Quero desejar em meu nome e em nome dos meus colegas de Executivo um Santo e Feliz Natal para todos, dizendo-lhes que a Junta de Freguesia de Alcanede além de cumprir as funções de uma Instituição Autárquica também se preocupa com todos estando atenta ao dia a dia e ao pulsar social das nossas gentes. Votos de um Bom Ano de 2010.

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