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Segunda-feira ,24 Janeiro, 2022
Artigos de Opinião

Porque é que eu sou contra o TGV

Dez mil milhões de euros/ano. Um número redondo, fácil de reter. É quanto, entre aumento de receitas e diminuição de despesas, o Estado Português tem de reduzir o seu défice anual. Não para o anular mas para o trazer para os 3% do PIB, cumprindo assim um dos critérios de convergência da UE. Mil euros por português/ano, em média. Pode fazê-lo de vários modos: subir a taxa máxima do IVA para 35% (e as outras proporcionalmente); subir a taxa máxima de IRS para 87% (e as outras proporcionalmente); reduzir em 47% os salários da função pública; privatizar 35% dos serviços públicos.

Pode também proceder a qualquer combinação destas e de outras medidas, em doses variáveis: por exemplo, reduzir para metade o investimento público, fixar a taxa máxima de IVA em 23%, fixar a taxa máxima de IRS em 52%, privatizar ou encerrar 7,5% dos serviços, reduzir em 10% os salários dos restantes funcionários públicos. Logo se percebe que temos muito pouco espaço para investimentos megalómanos que mais tarde ou mais cedo vão ter de ser pagos.

O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo. É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País.

Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

No global do projecto de construção da linha e sistema de transporte a incorporação nacional é de apenas 40% (obras de Construção) porque a máquina (comboio) é construída algures entre a França e Alemanha, a informática é alemã. A electrificação é espanhola e francesa (catenarias, fios de electricidade) e  a energia eléctrica será sempre fornecida por Espanha e França das centrais nucleares.

Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

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