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Domingo ,11 Abril, 2021
Artigos de Opinião

Pontos de vista sobre o lixo

Escrevo este artigo a propósito do “post” do Manuel Simão publicado no fórum do Portal de Alcanede no dia 05.11.2010, no tópico: “o que é que gostaria de ver feito na freguesia de Alcanede durante este mandato”, o qual desde já envio os meus cumprimentos, pela oportunidade que me dá de escrever sobre o assunto.

A questão dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), vulgo “lixo”, é muito actual e relevante nas sociedades modernas e deve ser levada muito a sério pelos responsáveis políticos e população em geral. De uma maneira geral a informação transmitida para a opinião pública sobre este assunto foca em grande medida a componente da educação ambiental e cívica, renegando para segundo plano a componente económica que, na minha opinião, assume igual valor. E passo a explicar:

O tratamento dos RSU tem custos.

Cabe às autarquias a recolha e o tratamento dos RSU, sendo esta tarefa normalmente realizada por empresas municipalizadas, em sistemas intermunicipais, e com recurso a parcerias de capital privado que visam lucro. O financiamento destas empresas é pago pelas autarquias envolvidas que pagam o serviço em função do número de toneladas de RSU recolhidos e tratados por concelho.

Os RSU têm valor económico enquanto matéria-prima para inúmeras utilizações.

A conhecida política dos três R’s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) visa a sustentabilidade dos recursos naturais, pelo que o tratamento dos RSU tem em conta a sua valorização enquanto recurso e as opções ambientalmente mais favoráveis. Actualmente, existe uma rede de sistemas de recolha de RSU muito diversificada e abrangente, que permite que qualquer cidadão que se proponha voluntariamente a separar os resíduos para a reciclagem tenha um local próximo de si para o fazer: vidro, papel, plástico, metal, óleo, pilhas, matérias biodegradáveis, medicamentos, electrodomésticos, pneus, etc. Assim, quando separamos os resíduos para os contentores da reciclagem ou damos uma nova utilização a um determinado resíduo que ia para o “lixo”, estamos a contribuir para a valorização dos RSU, gerando receitas, e a diminuir o custo do tratamento enquanto “lixo” indiferenciado. Em termos práticos, quando qualquer munícipe deposita o lixo num contentor de lixo indiferenciado está a aumentar os encargos da Câmara Municipal com a recolha e o tratamento do RSU, pelo contrário, quando o separa para a reciclagem está a contribuir para o aumento de receita.

Separar os RSU: atitude cívica voluntária ou uma obrigação?

Chegado a este ponto, qualquer um de nós perceberá que os encargos que o município tem com a recolha e tratamento dos RSU indiferenciados, são na verdade pagos por todos através da tarifa de resíduos sólidos (€ 1,5) que nos chega indexada na factura da água como um valor fixo (o que é um contra-senso, uma vez que não distingue quem produz menos resíduos). Pode parecer insignificante o seu valor individual mas, no todo, é uma enorme verba que o município não dispõe para investir no desenvolvimento do concelho. Para mal de todos nós!

Portanto, separar os RSU é um comportamento que gera receitas para o município com benefícios ambientais, sociais e económicos para todos nós. Razões mais que suficientes que justificam a adopção por este tipo de comportamento ao nível individual e colectivo, incentivando a administração, as organizações e o comum do cidadão que nos está mais próximo? Seria esta a atitude lógica e correcta, voluntária mas de determinação quase obrigatória.

É, por isso, que realço este artigo com uma fotografia do recinto da feira, tirada no dia 13 de Novembro de 2010, que tem como pano de fundo o Centro Escolar e a Escola EB23, e que ilustra bem o caminho que falta percorrer na vila de Alcanede em matéria de educação e comportamento cívico.

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