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Terça-feira ,7 Dezembro, 2021
Artigos de Opinião

O sobre-endividamento dos particulares

Todos os principais indicadores económicos dos Estados Unidos, Ásia e Zona Euro apontam para uma melhoria económica. As previsões para o crescimento do PIB americano em 2010 foram revistas em alta por muitos analistas. A partir de meados de 2010 é natural que os bancos centrais voltem a normalizar as suas políticas monetárias. É provável que sejam o BCE e Banco de Inglaterra os primeiros subir taxas. De notar que o Banco Central Australiano já iniciou a esta subida ainda que ligeiramente.

Quero com esta pequena introdução chegar ao tema do meu artigo: O sobre-endividamento dos particulares.

Com o aumento das  taxas  de  juro verificadas em 2008, e consequente aumento das prestações do crédito à habitação, muitas famílias tiveram a necessidades de recorrer a crédito de curto-prazo para conseguir suportar os seus encargos com o crédito de longo-prazo. Assim, assistimos à contratação de vários créditos pessoais, a utilização da totalidade dos plafonds dos cartões de crédito e ainda a utilização da totalidade das contas-ordenado, para poderem suportar as prestações do crédito à habitação e ainda comprar os bens de primeira necessidade.

Esta situação, como é óbvio não é suportável a longo prazo, pois as taxas de juro aplicadas aos créditos de curto-prazo são mais elevadas. Mais cedo ou mais tarde estas famílias entram em situação de ruptura e incumprimento. É importante manter os pés bem assentes na terra. Quando se consegue diminuir a prestação pela diminuição das taxas directoras, deve-se ter o cuidado de não aumentar os encargos mensais, mas sim aproveitar para liquidar os créditos mais onerosos como são os plafonds de cartões de crédito e de contas ordenado.

As taxas de juro vão voltar a subir e as suas prestações também. De notar que para um crédito de 125.000 € a 30 anos, uma subida de 1% na taxa directora significa uma subida de aproximadamente 70 € mensais, e uma subida de 2% significa um aumento dos encargos mensais na ordem dos 140 €. Á aproximadamente 1 ano (03/11/2009) a taxa Euribor a 6 meses (a mais actualizada como indexante no crédito habitação em Portugal) estava nos 3.811%, hoje está cerca de 2.8% abaixo, fixandos-se nos 1.022 %. Se daqui a um ano estivermos ao mesmo nível de 2008 e a prestação subir cerca de 200 € mensais, como é que vai ser? O seu orçamento está preparado para isso?
Vou deixar dois conselhos para enfrentar melhor aos tempos adversos que ai vêem.

– Inicie uma poupança mensal.

Por pequena que seja uma poupança será a melhor forma de controlar as suas finanças a longo prazo. Abra uma conta à parte, onde não deverá mexer. Sempre que receber o seu salário coloque uma pequena, ou maior parte do seu rendimento nessa conta. Comece como puder, com cinco, dez, ou 15 euros mensais. O importante é começar. Quando aumentar o seu rendimento disponível, aumente também o valor da sua poupança. Vai ver que dentro de algum tempo terá um valor para despesas extra, ou para amortizar os seus empréstimos.

– Reduza a sua taxa de esforço.

A taxa de esforço é a percentagem do seu rendimento mensal que utiliza para pagar os seus créditos. Por exemplo se recebe 1000 euros líquidos mensais e tiver prestações no valor de 500 euros a sua taxa de esforço será de 50%. Mantenha a sua taxa de esforço abaixo dos 40% do seu rendimento líquido mensal. Aproveite a folga que entretanto tivemos com a descida das taxas de juros e do preço dos combustíveis e prepare-se para os tempos difíceis que ainda estão para chegar.

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