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Quinta-feira ,2 Dezembro, 2021
Religião

Mensagem de Natal de D. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

Que o Natal Permaneça – Natal 2014
Na quadra natalícia, rica de profundo humanismo e de denso significado cristão, apresento a todos as minhas saudações fraternas e faço votos para que o Natal permaneça sempre na nossa vida e se torne um processo contínuo de construção de relações fraternas, de amizade, apreço e acompanhamento mútuo.

Segundo o evangelho, Jesus veio habitar no meio de nós para se encontrar connosco e transformar as nossas relações. Se Lhe prepararmos o caminho e formos também ao seu encontro, então temos acesso a uma fonte perene de alegria, de paz e de fraternidade: “A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (Papa Francisco na Exortação Evangelii Gaudium, EG 1).

Na sua vinda para o meio de nós Jesus identificou-se com os mais humildes e indigentes: Apresentou-se como uma criança que nos estende os braços porque confia na nossa protecção; aproximou-se dos pobres e pecadores para elevar a sua dignidade; dedicou-se aos doentes, desanimados e excluídos para os curar e integrar na comunidade. É esse calor da fraternidade, da bondade e da esperança que eu desejo a todos. Às crianças para que recebam o presente do acompanhamento afectivo e possam crescer com confiança e alegria; aos jovens para que cultivem a força de lutar por um futuro com esperança; aos adultos para que contribuam para a paz e bom relacionamento; aos idosos para que recebam dos familiares e amigos o calor da proximidade e da ternura; aos doentes para que enfrentem com coragem e esperança a provação e confiem nos cuidados de saúde e no Senhor Jesus, médico das almas e dos corpos; às famílias para que cresçam no amor, no diálogo e na atenção mútua.

Para viver o Natal como um projecto de vida iluminado pela fraternidade e pela justiça, temos de renunciar ao individualismo e sair ao encontro dos outros; de lutar contra o relativismo que não nos deixa aderir à verdade e à bondade; de vencer a indiferença mútua que se instala nas sociedades de bem-estar e de consumismo. Para fazer caminho temos de sair dos nossos acampamentos seguros, das nossas zonas de conforto, dos nossos apegos e “deixar que Deus nos conduza para além de nós mesmos afim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro” (EG 8). Acolher o Natal de Jesus que nasceu para nós é acolher os outros e descobrir com alegria a sua riqueza: “o grande risco do mundo actual com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho…” (EG 2).

Todos os anos o Senhor renova o convite para acolhermos e vivermos o mistério da Sua vinda na fraternidade, na justiça, na paz e na alegria. Viver o Natal é recuperar um horizonte de esperança num mundo melhor.

Com votos de cordiais boas festas desejo a todos a renovação e a permanência do Natal.
+Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém

 

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