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Quarta-feira ,14 Abril, 2021
Artigos de Opinião

Do 25 de abril à agregação de freguesias… Por Francisco Mendes

Foi há quase 4 décadas, faz para o ano. Apesar de na altura ter só 11 anos, lembro-me muito bem do dia 25 de abril de 1974. As minhas preocupações na época eram menos solidárias do que são hoje e então, assim que ouvi na rádio que tinha havido uma revolução, perguntei logo à minha mãe se quem ganhava era o Spínola para eu já não ir à guerra, a guerra colonial, obviamente. É que na altura, o então General tinha escrito o livro “Portugal e o Futuro” e eu sabia que ele de alguma forma defendia a descolonização.
Tantos anos passados, e agora com a consciência plena de que essa revolução dos cravos foi obra e deu na altura frutos não exactamente pela intervenção de homens como o Spínola mas muito mais pelas mãos de capitães como Salgueiro Maia, sinto, como quase todos nós, que tudo foi seguindo o caminho errado e que continuamos mais e mais a caminhar nesse sentido… Disse alguém, sem se lembrar que a língua portuguesa é muito traiçoeira e sem ainda saber o que de tão real estava a dizer para o futuro: “há uma ano atrás estávamos à beira do abismo, agora demos um passo em frente”. Bom, não é?…

Mas isso não retira minimamente o elevadíssimo mérito, a absoluta necessidade da implementação da democracia, que como dizia Churchill é o pior de todos os sistemas tirando todos os outros. Se por mais não fosse, já teria valido todo o esforço e empenho por ter acabado com os presos políticos e a seguir com a tal guerra colonial que me afligia.

E por falar nos caminhos errados que muitas vezes têm sido seguidos, queria aqui falar convosco sobre um tema que volta agora a estar muito actual, se é que já tinha deixado de o estar, e que é a agregação das freguesias e em geral a reorganização autárquica, quer a nível nacional quer no nosso concelho de Santarém.

É que, como certamente há dias ouviram, o presidente da Associação Nacional de Freguesias, pôs ontem em causa o funcionamento das novas freguesias após as eleições de Setembro ou Outubro deste ano por falta de clarificação legal de situações.

Como é possível que se ponha em marcha um processo desta envergadura e de que há tantos anos se fala e sente a necessidade, sem tudo ser devidamente discutido, pensado, falado com todos e procurados os consensos possíveis e acautelada a sua execução prática?

A nível legislativo e assim nacional, não consigo entender que se faça esta chamada agregação de freguesias, que em muitos casos e na prática mais parece uma eliminação de algumas freguesias, sem se fazer algo de semelhante relativamente aos concelhos. Como muitos de vós saberão, há concelhos, e no nosso distrito há alguns, que têm, pouco mais habitantes que, por exemplo, a freguesia de Alcanede.

É mais fácil, como sempre, atacar, desculpem o termo, os mais pequenos e assim supostamente mais fracos ou menos influentes, não é? De onde conhecemos já esta história?

A nível de Santarém, do concelho, a coisa passou-se de uma forma que me parece inconcebível. Não entendo nem posso aceitar de bom grado que se tomem decisões sem se ouvir os directamente interessados e que neste caso são obviamente os fregueses dos espaços afectados pela remodelação. Decisões desta natureza só podem ser assumidas depois de uma ampla discussão e têm de o ser por critérios objectivos lógicos sem qualquer tipo de interesses partidários, pessoais ou outros por detrás e que tenham em conta a história e características muito peculiares de cada espaço.

Duma reforma deste cariz nunca se pode esperar apoio unânime, mas pode sim esperar-se e conseguir-se a aceitação das populações se nela virem razoabilidade, independência de critérios e franca vontade de fazer o melhor por parte de quem assume as decisões. Quando se entenderá que não há outra forma possível de trabalhar? Quando se irá perceber que não é contra as pessoas que as coisas se conseguem?!

Em suma, quero-lhes dizer que não sou contra a reforma administrativa que há muito é necessária. Mas, desta forma, creio que só poderia e deveria haver a coragem de voltar atrás e começar de novo…

Até breve!

Francisco Mendes
Candidato Independente à Câmara Municipal de Santarém pelo +Democracia em Movimento

Nota:
O Portal de Alcanede informa os seus leitores que o contador que indica o número de vezes que a notícia foi lida não está a funcionar corretamente, o número real é superior ao indicado. A situação regista-se desde o passado dia 10 de abril de 2013, data em que o site foi alvo da atenção de “Hackers” que deixaram algumas “marcas” que ainda estão a ser resolvidas. A situação será normalizada assim que possível.
Obrigado pela compreensão.

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