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Sábado ,6 Junho, 2020
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Covid-19: Movimento Maker Portugal apela ao apoio de todos para continuar a produzir gratuitamente viseiras de proteção

No momento em que o país e o Mundo atravessam sérios problemas resultantes da pandemia Covid-19, existem grupos de pessoas que, de forma voluntária, tentam ajudar a minimizar impactos. É o caso do Movimento Maker Portugal que nesta altura está a tentar produzir o máximo possível de viseiras de proteção facial.

Pedro Silva e Helena Caetano, residentes na freguesia de Alcanede, são membros deste movimento e estão empenhados em passar a mensagem de que é fundamental o apoio de todos para que seja possível continuarem a oferecer “às IPSS, hospitais (HDS), centros de saúde e forças de segurança” as viseiras necessárias de forma gratuita.

Neste momento, o objetivo passa por alargar a mensagem não só à freguesia de Alcanede, mas também a Gançaria, Tremês, Amiais de Baixo, Abrã e outras populações vizinhas, para que sejam abrangidas pela oferta do referido material de proteção, “a ideia é juntar as necessidades destas instituições, esses pedidos serem centralizados, e conseguir chegar ao máximo de pessoas possíveis dando prioridade aos de primeira linha”, referem os dinamizadores.

Para já, o primeiro passo é “encontrar pessoas ou empresas com impressoras 3d, máquinas de corte a laser” que manifestem abertura para ajudar, sendo imprescindível a matéria-prima, por exemplo, “as chapas de acrílico 3mm são uma necessidade altíssima, para continuar com a produção”.

O movimento Maker tem trabalhado de forma autodidata, “é devido ao altruísmo e vontade de ajudar dos voluntários que temos inseridos no movimento, que vão ajudando o nosso país”, manifestando vontade de “o conseguir fazer mais depressa, mas estão a dar o máximo para dar resposta a todos os pedidos” disseram ao Portal de Alcanede, Pedro Silva e Helena Caetano.

Qualquer pessoa se pode juntar a este grupo, bastando contactar através do e-mail: viseirasalcanede@gmail.com, ou através do número 916228732, sendo muito importante a partilha pelas redes sociais para se chegar o mais longe possível.

Como surgiu o grupo Maker Positivo

Nasceu do Movimento Maker (Grupo do Facebook), um movimento português com milhares de entusiastas. São de vários pontos do país, trabalham nos seus projetos e encontram-se uma vez por mês em Porto de Mós, no FabLab do Município de Porto de Mós que aceitou o grupo e disponibilizou as máquinas para os seus projetos.

Neste cenário de pandemia, os Makers não ficaram indiferentes e começaram por se juntar com outros milhares de voluntários de todo o mundo ao projeto Open Air (https://www.projectopenair.org/).

O Open Air foi criado por um português (João Nascimento) e junta vários voluntários para a criação de novos ventiladores (equipamentos em falta em alguns países), em open source. Mas a emergência em que nos encontramos, fez com que também começassem a produzir viseiras de proteção. A nível nacional, já entregaram milhares de viseiras em todo o país.

O Município de Porto de Mós disponibilizou o seu FabLab e tem contribuído com materiais e algumas ajudas inerentes (exemplo: deslocações para entregas de viseiras).Na região do Médio Tejo, já foram entregues, também, centenas de viseiras, a entidades que andam na frente de batalha nas mais diversas áreas (Saúde, IPSS, Segurança superfícies comerciais, entre outras).

A nível nacional, o projeto tem sido levado a cabo pelo fundador do Movimento Maker, Bruno Horta, e surgiu devido à dificuldade que o nosso país e o mundo atravessam.

Sobre as viseiras

Este trabalho é voluntário e não procuram lucro, pelo que as viseiras são gratuitas. Contudo, estão em espera milhares de viseiras para produção, em alguns casos a aguardar stock de material. Os designs são de licença aberta, para que qualquer pessoa possa produzi-las. Os custos de produção têm sido suportados pelos voluntários e com a ajuda de doações de material por parte de pessoas individuais, algumas empresas e instituições, não aceitando dinheiro para o fabrico destes equipamentos.

Materiais necessários para as viseiras:

Filamento 1,75 (maioritariamente PLA) para impressora 3D, de qualquer cor
Chapas de Acrílico Vazado para Corte a Laser
Acetatos A4 (mínimo 200 microns, mas o ideal é de 300 microns)
Fitas elásticas caseadas (também aceitamos não caseadas, caso não existam as mesmas)
Chapas de acrílico 3mm
Desinfetante (para desinfetar as viseiras)
Bicos de extrusoras
Cola para as impressoras 3D
Clipes triangulares
Policarbonato

Segundo o movimento, “neste momento, de facto, existe uma grande necessidade de stock destes materiais”, até porque no início “os voluntários não imaginaram a proporção que a produção tomaria, e a dada altura torna-se para incomportável assumir todas as despesas do próprio bolso”, mas “não querem parar a produção”, citámos.

Porquê em acrílico e não em impressão 3D?

É muito mais rápido fazer uma viseira em acrílico do que inteiramente em impressão 3D! No entanto, o que se encontra a atrasar a produção de viseiras, tanto estas em acrílico que levam depois um acessório impresso para a testa, ou as outras viseiras inteiramente impressas, é a velocidade com que tipicamente estas máquinas trabalham.

Tempo: Acrílico + acessório impresso 3D (+-15 minutos / Viseira)
Tempo: inteiramente em Impressão 3D (+-30minutos a +1h / Viseira)
Nota: Em alguns casos, pode passar a 1h30min

E por injeção?

É rapidíssimo, é mesmo uma questão de segundos até ter a estrutura da viseira terminada.

O mais fundamental/necessário?

Em alguns casos faz falta ter mais maquinaria a produzir (fora da produção em série) e quanto à produção em série e à distribuição das viseiras a nível nacional, neste momento os voluntários têm parceria com uma transportadora, mas mediante análise pode vir a ser necessário ter mais ajuda.

Em Torres Novas, a distribuição tem sido assistida por voluntários, numa estrutura também montada pelo Município de Torres Novas – StartUp Torres Novas em articulação com a Proteção Civil Municipal.

Fica claro que, “o nosso país precisa de estar protegido. Os portugueses precisam destes voluntários, e todos precisamos uns dos outros”.


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