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Sexta-feira ,22 Fevereiro, 2019
Entrevistas

Banda de Alcanede grava 2º trabalho discográfico

A Banda Filarmónica de Alcanede gravou no Teatro de S. Pedro, em Alcanena, o 2º registo discográfico da sua história que assinala 120 anos de existência. Ao todo, participaram 65 elementos dirigidos pelo Maestro Alberto Lages em mais de 20 horas de gravação, realizadas nos dias, 18, 19 e 20 de janeiro.

A apresentação do CD, inteiramente dedicado à música portuguesa, ainda não tem data de apresentação e contou com obras dos compositores, Joly Braga Santos, Joaquim Luís Gomes, Duarte Ferreira Pestana, Lino Guerreiro e Alexandre Almeida.

A gravação do novo CD foi o argumento para o Portal de Alcanede entrevistar o Maestro Alberto Lages e o Presidente da Direção da Sociedade Filarmónica Alcanedense, José Antunes.

Como nasceu a ideia da gravação do novo CD?

José Antunes – O nosso último CD, “Overture to A New Age”, foi lançado em 2009, pelo que, há já algum tempo que começámos a pensar em gravar um novo CD, dado que de 2009 para cá a banda teve uma grande evolução e a melhor forma de registar é através da gravação do nosso trabalho. Claro que a gravação tem custos muito elevados para uma filarmónica, o que levou a que fosse necessário algum tempo para juntar os recursos adequados.

Entretanto, o tempo foi passando e criou-se esta possibilidade de gravarmos, precisamente na altura em que se comemoram os 120 anos da Banda de Alcanede. As comemorações vão prolongar-se por este ano e a apresentação do CD, para a qual ainda não temos previsão, será certamente mais uma ocasião de celebração dessa efeméride.

Em relação ao título é possível adiantar alguma coisa?

Alberto Lages – Ainda não temos, mas quem sabe, “Abraço a Portugal – música portuguesa para banda” ou “Música portuguesa para Banda – ontem e hoje”, davam bons títulos.

Onde foi efetuada a gravação?

José Antunes – A gravação decorreu em Alcanena, no Teatro São Pedro, e aproveitamos para agradecer a disponibilidade e o fantástico acolhimento da Câmara Municipal de Alcanena, dada a impossibilidade de agenda do Teatro Sá da Bandeira em Santarém.

Realço os apoios que recebemos ao longo deste ano de diversas empresas, da Junta de Freguesia de Alcanede, da Câmara Municipal de Santarém e de todos os sócios e amigos da SFA, que permitiu para além desta gravação, realizar as diversas atividades de comemoração dos 120 anos da banda de Alcanede.

Quanto tempo demorou todo o processo de gravação?

Alberto Lages – A gravação demorou um fim-de-semana completo, sexta à noite sábado e domingo manhã e tarde, cerca 20 horas de gravação. A produção deverá demorar alguns meses.

Quantos elementos estiveram envolvidos?

Alberto Lages – Sessenta e cinco.

Tiveram alguns convidados especiais?

Alberto Lages – Para fazer face á exigência das partituras contamos com a colaboração de alguns músicos que são já habituais e ainda outros que habitualmente não tocam com a banda nomeadamente uma secção de cordas, violoncelos e contrabaixo e ainda harpa.

Ainda não há uma data, de qualquer forma em que moldes pretendem fazer a apresentação do registo discográfico?

Alberto Lages – Ainda não temos previsão de data. Mas muito provavelmente com um concerto onde será apresentado este repertório.

Por falar nisso, que repertório foi gravado?

Alberto Lages – É um CD inteiramente dedicado à música portuguesa, uma espécie de homenagem à grande música portuguesa para banda. O disco divide-se em duas partes uma mais tradicional de compositores já falecidos, mas que representam uma época áurea da composição para banda que interessa divulgar.

São eles Joly Braga Santos do qual gravaremos “Otonifonias,” Joaquim Luís Gomes um compositor oriundo de Santarém, ficará representado através da sua 1ª Fantasia popular portuguesa, e ainda desta primeira parte, “Abraço a Portugal“ de Duarte Ferreira Pestana. Por outro lado temos dois jovens compositores, Lino Guerreiro que se disponibilizou em escrever “Haxamanis” para a nossa banda e ainda Alexandre Almeida que compôs o seu Concerto para clarinete e orquestra de sopros, dedicado ao Daniel Frazão. Devo realçar que serão tudo primeiras gravações o que não deixa de ser um feito assinalável para a nossa banda.

Porquê a escolha dos compositores em causa?

Alberto Lages – Depois de lançado o desafio, começou a germinar a ideia de gravar só música portuguesa. A ideia foi crescendo tornando-se realidade e acima de tudo um vontade coletiva. Somos uma Banda Portuguesa faz sentido gravarmos repertório português. Logo seguir surge a pergunta e que música? e que compositores? Surgiram logo respostas, Joaquim Luís Gomes por ser um compositor nascido em Santarém não poderia ficar de fora, “Otonifonias” de Joly Braga Santos por ainda não haver nenhuma gravação da obra seria um excelente desafio.

“Abraço a Portugal” surgiu da necessidade de ter uma obra que pudesse funcionar como tema para o CD além. O Alexandre Almeida, pseudónimo de Vasco Valente, pela razão expressa na resposta anterior. O seu concerto para clarinete é dedicado ao Daniel, que por acaso foi o meu primeiro aprendiz que coloquei na banda, já la vão uns anos.

Quanto ao Lino Guerreiro é um compositor que muito admiramos, além de amigo, depois de uma pequena conversa de café e de ter conhecimento do projeto disponibilizou-se imediatamente em compor uma obra totalmente inédita para o nosso CD.

Gostava de em meu nome e em nome de todos os músicos da SFA, assim como Direção, o felicitá-lo pelo trabalho realizado e agradecer-lhe por nos presentear com tão boa música. Arriscar-me-ia a dizer, se ouve presente dos 120 anos, este foi o presente. Seria mais que justo gravar uma obra que foi composta a título totalmente gracioso, sem quaisquer custos para a banda. Obrigado Lino.

Temos então compositores de referência e jovens promessas?

Alberto Lages – São todos compositores de referência do panorama nacional e internacional, O Vasco Valente e o Lino Guerreiro são já duas jovens promessas que nos vão continuar a presentear com boa música.

Quais os aspetos mais relevantes das peças desses compositores?

Alberto Lages – Todo o repertório aborda temática da música tradicional portuguesa á exceção de haxamanis que nos transporta para o médio oriente. Todas à exceção de Haxamanis são uma viagem ao universo da música popular portuguesa com uma roupagem bem erudita, mesmo o concerto para clarinete termina com uma citação do famoso fandango ribatejano. Quanto a Haxamanis descreve-nos a história de:

     “um rei ancestral, possivelmente mitológico, dos persas, da dinastia aquemênida. Em criança, Haxamaniš foi alimentado e protegido por uma águia, assim como Gilgamesh rei da Suméria. Muitos estudiosos acreditam que ele era um governante Parsumash, um estado vassalo de “Medes”, o império mediano, e que foi ele quem liderou o ataque contra o rei assírio Senaqueribe.

Esta obra é inspirada nas minhas leituras acerca deste assunto, na forma como a minha imaginação me fez ouvir alguns dos possíveis “sons”, que nas minhas fantasias fazem parte desta mitologia.” (Lino Guerreiro)

Que oferece dizer neste momento, também, significativo para a Banda de Alcanede com o seu peso de 120 anos?

Alberto Lages – Na qualidade de maestro venho uma vez mais expressar a minha profunda gratidão para com todos quantos participaram nas gravações de mais um CD da Filarmónica Alcanedense. Louvável e irrepreensível postura de todos quantos partilharam em palco a música de Joly Braga Santos, Joaquim Luís Gomes, Duarte Ferreira Pestana, Lino Guerreiro e Alexandre Almeida (Vasco Valente).

Foram enormes. Ao Daniel Frazão um enorme BRAVO! Um Abraço de estima e admiração a todos que acreditaram neste projeto desde o primeiro dia tornando-o um sonho realizado. Um agradecimento especial a toda a Direção e aqueles que para nós são a família SFA por tudo, e por todo o apoio de retaguarda, sem vós seria impossível. Um agradecimento muito especial ao município de Alcanena que através do seu Cineteatro São Pedro nos acolheu pela 2ª vez. Por último não me podia esquecer os nossos amigos Paulo Constantino e Irene Constantino pelo seu profissionalismo e constante apoio.

Obrigado!!!

Enorme Estima e Amizade por todos.

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