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Quarta-feira ,14 Abril, 2021
Artigos de Opinião

A Esperança deve ser sempre a última a morrer… Por Francisco Mendes

O passado dia 28 foi mais uma vez dia de Assembleia Municipal em Santarém.
Já não é a primeira deste mandato e, por isso também, cada vez mais vou tendo a franca esperança e quase certeza de que estes quatro anos (2013-2017) vão ser um período com sessões de Assembleia Municipal muito mais corretas, respeitadoras e civilizadas e, por isso mesmo, muito mais interessantes e profícuas do que aquelas a que fui assistindo sobretudo no final do anterior mandato. A agressividade está a dar lugar à procura de consensos. E isso só pode ser motivo de felicidade e satisfação para mim e para todos os que estão na política com motivações sinceras. Certamente que se pode dizer que isso acontece também por não existir maioria. Mas isso pouco me interessa; interessa-me sim, como creio que será o que interessará à generalidade dos nossos munícipes, que os efeitos destas posturas sejam positivos…
Mas, infelizmente, não há bela sem senão. E, na última Assembleia, não pude deixar de misturar este sentimento de satisfação com alguma tristeza por ver que a nossa prática política, não só nacional mas também local, não deixou ainda completamente de ser mais do mesmo, porque ainda não nos conseguimos libertar da “obrigação” de concordar ou não com as propostas apresentadas, de aceitá-las ou não, de acordo com a proveniência das ideias ou das sugestões.

Refiro-me muito em particular à proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda que visava nada mais do que a realização de uma sessão da Assembleia Municipal comemorativa do 25 de abril. Sinceramente sempre julguei que esta proposta ali seria dignamente aprovada por unanimidade, como felizmente outras foram. Mas não, pasme-se, foi rejeitada com os votos contra do PSD (depois do seu líder de bancada ter elogiado demoradamente o 25 de abril e os seus obreiros no período antes da ordem do dia…) e com a abstenção da CDU. Claro que o Mais Santarém não pôde deixar de votar favoravelmente esta moção e, felizmente, o mesmo fez o PS. Argumentou a CDU que a participação em anos anteriores foi fraca e que “já se realizou uma sessão solene comemorativa do 25 de Abril nos Paços do Concelho e que não faz sentido a Assembleia organizar uma sessão autonomamente, até porque o programa das comemorações já está concluído e inclui um amplo conjunto de atividades”. Mas porque é que esta sessão não podia ser incluída no programa? Claro que não faria qualquer sentido fazê-lo à parte, sobretudo num ano em que, muito louvavelmente, iremos viver, ao que se espera, eventos comemorativos do 25 de abril promovidos em conjunto pela Comissão das Comemorações Populares e pela Câmara Municipal. Mas lá que esta sessão fazia sentido, não tenho qualquer dúvida.

Mas refiro-me também à não aceitação da moção do Mais Santarém que propunha a assinatura de um Acordo de Entendimento entre as diferentes forças políticas, de modo a assegurar uma continuidade de ação sobre questões e opções essenciais e estruturantes para o concelho. Um plano assumido pelas forças políticas e cívicas que a ele aderissem, que constituiria uma linha de rumo da ação dos responsáveis autárquicos, durante um largo período de tempo (10 a 15 anos), independentemente das suas opções políticas. Apesar de me parecer também que, pelo seu manifesto interesse, suscitaria consenso, o facto de ter sido uma proposta eleitoral do Mais Santarém aquando da última campanha autárquica (apresentada como “Santarém 2030 – Uma Visão para o Concelho”) acabou por ser a principal óbvia razão para a sua não aceitação generalizada! Claro que também houve quem tentasse ver em partes do documento um ataque aos partidos, num texto com que só se picará quem no fundo se sentir pessoal ou corporativamente responsável pelo “estado a que chegámos” de que já falava Salgueiro Maia. Mas ficou assente, por correta e sensata proposta da CDU, que este assunto vai ser alvo de discussão entre as diferentes forças políticas para, após alteração de pontos mais sensíveis para alguns, poder vir a ser aprovado. Assim espero…

Francisco Mendes

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