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Domingo ,2 Outubro, 2022
Entrevistas Sociedade

Tomás Duarte estreou-se como forcado de cara com pega consumada à primeira tentativa

O jovem Tomás Duarte, de Várzea-Alcanede, estreou-se no passado fim de semana como forcado de cara em representação do Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Chamusca e logo com uma pega consumada à primeira tentativa a um toiro da Ganadaria Fontembro.

O momento aconteceu durante o Festival Taurino de homenagem a Vitalino Padilha, na arena de Paio Pires, Seixal, e “foi um dos dias mais felizes e importantes da minha vida, acima de tudo foi o concretizar de um sonho!” disse o forcado de 18 anos em entrevista ao Portal de Alcanede.

Nesta conversa, Tomás Duarte revela como surgiu a paixão pelos touros, os receios da família, o percurso que tem feito no GFA do Aposento da Chamusca e das sensações que giram em torno dos forcados.

Veja também a pega que marcou a sua estreia como forcado de cara.


Entrevista

Portal Alcanede (PA) – Como e quando é que surgiu esta paixão pela tauromaquia?

Tomás Duarte (TD) – Esta paixão pela tauromaquia vem desde pequenino. Apesar de não ter nenhuma ligação familiar ao mundo dos toiros, quando era mais novo via as corridas na televisão e era algo que me deslumbrava, principalmente o momento em que os forcados saltavam para a pega, o meu coração parava. E é por isso que ganhei esse sonho de um dia me tornar forcado. Além disso, adorava ir às largadas de toiros que aconteciam na cidade de Santarém pelas festas de S. José e pela Feira do Ribatejo. Todos estes momentos despertavam um sentimento diferente em mim, foi a partir daí que nasceu esta paixão pelos toiros.

PA – E como é que a tua família reagiu à tua decisão de quereres ser forcado?

TD – Inicialmente, os meus pais e a minha avó, principalmente, não reagiram de forma animada. Como é óbvio, tinham medo que me aleijasse e que pudesse ter problemas que me prejudicassem para o futuro. Mas com o passar do tempo e dos treinos chegou a altura em que teve que haver uma mentalização de que era mesmo isto que eu queria e, portanto, ia seguir em frente. Hoje em dia, creio que é um motivo de orgulho para todos.

PA – Recentemente estiveram em Paio Pires, no Festival Taurino de homenagem a Vitalino Padilha e a 5ª pega esteve a teu cargo. Uma pega consumada à 1ª tentativa no dia que marcou a tua estreia como forcado cara. Como podes descrever as sensações desse dia?

TD – A sensação que sinto num dia de corrida é indescritível, desde o momento que acordo até ao momento em que adormeço. Por acaso, não tinha esperança nenhuma de que ia ser escolhido para pegar, mas estava muito nervoso, como nunca tinha estado. Por incrível que pareça, só deixei o nervosismo quando o Pipas (que é o nosso cabo) me disse que o toiro era meu. Nesse momento o foco foi total, não me passava mais nada pela cabeça se não aquilo que tinha de fazer em frente ao novilho. E lá fui. Tentei ter o máximo de tranquilidade possível e concentrar-me para que tecnicamente fosse perfeito. E correu bem. Apesar de ter conseguido pegar à 1.ª tentativa, cometi alguns pequenos erros, o que é normal visto que sou inexperiente, por isso uma das grandes lições de que levo desse dia é que há sempre algo a melhorar e a aprender. Posso dizer que foi um dos dias mais felizes e importantes da minha vida, acima de tudo foi o concretizar de um sonho!

PA – O Aposento da Chamusca foi sempre a tua “casa” ou até lá passaste por mais algum lado?

TD – O Aposento da Chamusca é o único grupo por onde passei e tenciono que assim seja para o resto da minha vida. É curioso que a oportunidade de ir fazer um treino ao grupo surgiu por parte do padre Vicente, ele sabia que eu era aficionado e que tinha um bichinho pelos forcados e como é o padre que “apadrinha” o grupo, numa certa altura de abril do ano passado perguntou-me se queria ir fazer um treino e conhecer o grupo, a minha resposta foi bem clara e como é óbvio disse logo que sim. E foi nesse treino que integrei o grupo e a partir daí nunca mais parei de treinar até que chegou o dia em que me fardei pela primeira fez, em outubro do ano passado, e já este ano consegui estrear-me a pegar em praça. Posso ainda dizer que vejo no Aposento da Chamusca uma segunda família, é mais que um grupo de amigos, a forma como se vivem os treinos, os jantares, o convívio, os dias de corrida. Tudo isto a troco de nada. Não há igual.

PA – Quantos vezes treinas e de uma maneira genérica, como é que funcionam os treinos?

TD – Não há um número exato de treinos por temporada, por exemplo, o ano passado treinámos 8 vezes, mas este ano já levamos 4 treinos feitos e ainda só estamos no início de abril, portanto pode variar. Normalmente os treinos acontecem em ganadarias, em que os ganaderos cedem à volta de 3/4 vacas ou novilhos e a rapaziada treina a pegar e a ajudar. Podem também haver treinos na Praça de Toiros da Chamusca, como tivemos um o ano passado e também fazemos demonstração de pegas em algumas festas e feiras do Ribatejo. Nos treinos vive-se um grande ambiente de convívio e de família, recomendo a qualquer jovem que vá e experimente porque é realmente uma experiência única!

PA – Como é que o GFA Aposento da Chamusca está a encarar esta temporada 2022?

TD – O grupo está a encarar esta temporada com muita esperança de que a pandemia fique para trás e as coisas voltem ao normal, que peguemos mais corridas e que o grupo ande para a frente, sempre com rapaziada nova a aparecer.

PA – Apresentações em Portugal ou também existe previsão de irem ao estrangeiro?

TD – Já existem corridas faladas cá em Portugal, mas este ano também vamos a Lunel, em França. Poderá também aparecer a oportunidade de irmos ao México, tal como em anos anteriores.

PA – Imagino que a reabertura das praças a 100%, após as restrições provocadas pela pandemia, seja uma enorme satisfação para todos vós?

TD – Claro! Ver uma praça cheia é completamente diferente do que ter só 1/3 da lotação e isso reflete-se no espetáculo. É muito bom podermos voltar a ver as praças de toiros cheias de gente aficionada, de pessoas que acreditam na magia da festa brava e que por isso defendem a nossa cultura com tudo o que têm!

PA – Obrigado por partilhares connosco o teu percurso dentro do GFA Aposento da Chamusca, parabéns pela estreia e felicidades para todo o Grupo…

TD – Muito obrigado pelo reconhecimento e pela oportunidade de levar e mostrar o que é Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Chamusca a mais gente!

Pega de Tomás Duarte no Festival Taurino de homenagem a Vitalino Padilha
Vídeo de Mónica Salgado
Fotos de Roberto Pingas Rodrigues/Infocul.pt

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