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Quarta-feira ,12 Junho, 2024
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Alcanede, Gançaria e Fráguas unidas em projeto promovido pela Santa Casa de Alcanede

A Santa Casa da Misericórdia de Alcanede (SCMA), no âmbito do Projeto Inovação Social: “100 Memórias e Estórias”, está a dinamizar até junho de 2023, como entidade promotora, uma série de iniciativas que devem merecer atenção especial das comunidades das freguesias de Alcanede, Gançaria e Fráguas.

A iniciativa conta com as participações do Instituto Politécnico de Santarém, como entidade externa responsável pela monitorização e avaliação do impacto do projeto, e com diversos investidores sociais, entre os quais a Câmara Municipal de Santarém, Câmara Municipal de Rio Maior, Juntas de Freguesia de Alcanede, Gançaria e Fráguas, Grupo Ferrar, Conselho Diretivo do Baldio de Vale da Trave, Casal D’Além, Covão dos Porcos e Vale de Mar e Conselho Diretivo dos Baldios de Valverde, Pé da Pedreira, Barreirinhas e Murteira.

A SCMA viu aprovada a candidatura ao «Portugal Inovação Social – Parcerias para o impacto», de onde resulta o “100 Memórias e Estórias”, com duração de 18 meses, e já tem no terreno os jovens Rodrigo Soares, Sandro Cordeiro e Patrícia Ramos na recolha do imenso material necessário para colocarem em prática os vários objetivos que envolvem este projeto de enorme abrangência.

O Portal de Alcanede, além dos elementos que estão no terreno e que, dessa forma, são neste momento os rostos mais visíveis junto dos beneficiários da iniciativa, falou também com a Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Alcanede, Wanda Mendo, e com a Coordenadora do projeto, Catarina Reis.

A Provedora considerou que, “esta ideia não surgiu de um dia para o outro! Era uma ideia que quem estava nesta casa há mais tempo, naturalmente, já tinha sentido uma necessidade de fazer algo mais pelas nossas comunidades para além dos serviços de assistencialismo puro” e que, quando surgiu a pandemia, “foi o momento em que achámos que estava no momento certo para fazermos algo mais do que já fazíamos”, disse.

É do conhecimento geral que “as nossas comunidades daqui não usufruem das valências que os centros urbanos têm, estou a lembrar-me, por exemplo, da Universidade Sénior e nós aqui não temos sequer nada parecido!”. Além disso, Wanda Mendo, recordou que “existe uma enorme vulnerabilidade social e iliteracia digital, daí que este projeto foi na direção de tentar colmatar as dificuldades que sentíamos já, mas que a pandemia veio acentuar”.

Foi com enorme satisfação que a SCMA viu aprovada esta candidatura, onde o projeto é financiado em 70% do valor total, sendo que os restantes 30% “ou a instituição tem que financiar ou com a ajuda dos investidores sociais”, disse a Provedora.

Por seu turno, Catarina Reis destacou que “estamos perante um projeto que envolve realmente um grande envolvimento da comunidade. Temos um foco em 100 pessoas que estão em vulnerabilidade social e o objetivo passa por chegar ao maior número possível de pessoas das comunidades envolvidas”, e só com essa envolvência máxima “é que o que projeto terá, efetivamente, sucesso”, esclareceu.

Para se desenvolver e chegar ao objetivo final, o projeto é divido em várias atividades, “vários workshops, em que o foco, além de dar competências informáticas, passa também por recolher as memórias e identidades das freguesias de Alcanede, Gançaria e Fráguas”, afirmou Catarina Reis.

Ao nível da inovação social este tem de ser um projeto sustentável, daí que o objetivo final da Santa Casa passe “por criarmos 8 roteiros turísticos que mostrem a identidade, cultura e tradições das nossas comunidades que muito fazem e muito fizeram”, passando a escrito todas as memórias que forem recolhidas. A Coordenadora do projeto está convicta de que “este não é um trabalho para ficar apenas para a instituição, mas sim para a comunidade”.

Os roteiros turísticos idealizados para este projeto não são comuns aos que as pessoas estão habituadas, “não quer dizer que sejam aqueles livros que as pessoas associam aos roteiros já existentes”, disse por sua vez a Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Alcanede, indicando que estes podem dar origem “a um Centro de Interpretação que, por exemplo, fique lá feito com as memórias daquela localidade, pode ser um percurso pedestre que fique construído para as pessoas usufruírem e mostrando ao longo do tempo o que é que naquela localidade se fazia de melhor, por exemplo, estou a lembrar-me dos moinhos na Gançaria”, disse.

Os rostos do projeto junto das comunidades

Rodrigo Soares – Responsável do Projeto Inovação Social. Licenciado em turismo, está a terminar o mestrado em gestão e marketing;

Sandro Cordeiro – Licenciado em comunicação e com vasta experiência em artes cénicas;

Patrícia Ramos – Assistente social.

Bem sintonizados e cientes da importância de levarem a bom “porto” este projeto, Rodrigo, Sandro e Patrícia fazem uma equipa perfeita num terreno, muitas vezes, “desconhecido” e só amenizado pelo apoio, fundamental, dos agentes locais.

É fundamental identificarmos um agente local que nos acompanhe, até para que as pessoas não estranhem a presença de três jovens a andarem sozinhos pelas povoações, porque o receio está sempre presente”. Nesse sentido, “temos ido porta a porta dar a conhecer o projeto e convidar para que participem nele”, disse Rodrigo Soares.

O projeto enquadra-se na área da temática da inclusão social e porque, na verdade, “sente-se que as pessoas estão muito isoladas socialmente” o objetivo é, sobretudo, “combater este isolamento”, esclareceu Patrícia Ramos, lembrando que o objetivo é abranger “pelo menos, 100 pessoas que estão em vulnerabilidade social e que estas 100 pessoas são principalmente idosos que não estão em lares, centros de dia ou apoio domiciliário”, ou seja, “estão em casa e que têm doença física ou mental e que estão impossibilitadas de trabalhar”, disse. Neste âmbito, estarão também sinalizadas pessoas que “estão em vulnerabilidade por pobreza, toxicodependência, violência doméstica, criminalidade, desempregados de longa duração e os jovens que não estão a trabalhar nem a frequentar nenhuma escola ou curso de formação”, disse.

No entanto, segundo Patrícia Ramos, “podem participar outras pessoas que queiram envolver-se no projeto. O objetivo é envolver todas as comunidades das três freguesias”, afirmou ao Portal de Alcanede.

Em relação aos roteiros turísticos, Rodrigo Soares espera que a implementação efetiva do projeto seja “uma resposta inovadora” e que dentro da área do turismo “podemos falar de uma forma de turismo criativo onde vamos, não explorar os recursos que temos, mas sim agarrar nos recursos naturais das pessoas e o património que existe, imaterial ou material, e potenciar esse património de 8 aldeias que servirão de polos dos roteiros, embora o número de povoações agregadas nos roteiros seja muito mais vasto”, salientou o responsável do projeto Inovação Social da SCMA.

No final de todo o trabalho, que se prolongará durante ano e meio, o objetivo é “termos um roteiro de origens e que pode ir da cal até à pedra, do pão até ao azeite, passar pelos moinhos, etc. O objetivo principal é que seja algo que represente a história e as nossas tradições”, disse Rodrigo Soares.

A importância dos investidores e as diversas atividades que fazem parte do projeto

Os investidores já existentes, e que de alguma maneira estão a financiar o projeto, “não serão os únicos durante os 18 meses de duração do programa”, isso mesmo referiu à nossa reportagem Sandro Cordeiro,

No que respeita às atividades, “temos três eixos fundamentais. O da Inovação e Modernidade, Saberes e Fazeres de Outrora e Agora o Público”, sendo que estas irão decorrer durante os 18 meses do projeto, “para que depois possamos criar todos os roteiros turísticos”, disse.

No primeiro eixo; “existem duas oficinas que pretendem combater a iliteracia digital, a oficina das TIC e a oficina da digitalização de todo o material recolhido”. Em relação ao eixo “Saberes e Fazeres de Outrora, existem diversas oficinas já que é um dos eixos fundamentais do projeto em que serão recolhidas as memórias e as estórias”, que já decorre no terreno, “e que será complementada com a oficina da digitalização”. O restauro do material recolhido também faz parte de todo o trabalho, “pretendemos restaurar peças antigas, por exemplo uma balança, uma carroça, ou até mesmo um espaço físico que esteja degradado”, referiu Sandro Cordeiro. O passo seguinte é dirigido para a “oficina de escrita criativa e expressão corporal”, além da oficina de costura criativa, “onde serão criados os trajes antigos” e, por fim, a oficina de teatro e técnicas de relaxamento “onde poderemos ter peças de teatro ou concertos”.

Sandro Cordeiro, Catarina Reis, Rodrigo Soares, Patrícia Ramos e Wanda Mendo

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