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Terça-feira ,9 Agosto, 2022
Entrevistas

Rui Jorge: “Em casa de ferreiro espeto de pau”

Oficialmente criada em 1985 a Associação Desportiva de Aldeia da Ribeira (A.D.A.R.) é reconhecida como pessoa coletiva de utilidade pública e detém atualmente na secção de BTT a mais visível das suas atividades, embora pretenda alargar o trabalho a outras áreas, como é o caso do futebol. A falta de reconhecimento dado ao trabalho da associação por algumas pessoas de Aldeia da Ribeira e da freguesia de Alcanede é motivo de “tristeza” por parte do presidente da direção, Rui Mendes Jorge, o nosso entrevistado.

Portal de Alcanede (PA) – A A.D.A.R. vai fazer no próximo mês de Julho 26 anos de existência. Como é que nasceu a ideia de criar este clube na Aldeia da Ribeira?

ruimendes adarRui Jorge (RJ) – 1985 é a data oficial em termos de legalização da associação, no entanto a A.D.A.R foi pensada numa reunião a 24 de Abril de 1984. Eu estava há pouco tempo em Aldeia da Ribeira, mas fui convidado para assistir a essa reunião. Algumas pessoas sabiam que eu tinha já alguma experiência ao nível de coletividades, em particular no Águias de Alpiarça, de onde sou natural, onde fui atleta e onde fui responsável das secções cultural, recreativa e desportiva (Andebol). Aceitei o desafio lançado por esse grupo de elementos para formarmos um clube a sério. Porque era novidade nesse tempo o entusiamo nunca faltou, eramos 14 a 16 pessoas e em menos de um ano o clube nascia legalmente.
Inicialmente a associação tinha como fim não só o desporto, mas também as vertentes culturais e recreativas. Devo sublinhar que nessa época a juventude em Aldeia da Ribeira e de uma maneira geral na freguesia de Alcanede, só via o futebol como desporto! Hoje o BTT é atividade principal da A.D.A.R e que veio a surgiu mais tarde.

PA – Quando é que se dá a grande evolução da associação?

RJ – Em 1995 uma série de miúdos que gostavam de BTT e que corriam individualmente, foram ter comigo a pedir para os ajudar a organizar uma equipa, já que tinham vontade de participar em provas oficiais (como equipa) e tinham gosto de representar a nossa associação desportiva e a freguesia de Alcanede. Desde 1995 que estamos federados e até hoje nunca mais deixámos de correr, sempre com 9 a 12 federados. É por isso que hoje tenho orgulho em dizer que os resultados são extremamente positivos, atendendo a que se trata de uma aldeia pequenina, mas bem alicerçados a nível nacional e internacional, com participações em Espanha, França, Madeira e em todo o território continental.

PA – Aldeia da Ribeira e Alcanede estão assim, desportivamente, representadas a grande nível…

RJ – Sim. Mas há uma mágoa para mim, eu sinto. Por vezes fico com a impressão que a A.D.A.R. que como equipa a nível nacional é a mais antiga do país a participar há mais anos consecutivos em provas oficiais, deixa-me às vezes uma certa tristeza que na Aldeia da Ribeira esta verdade não se saiba. Provavelmente poucos o saberão também na freguesia de Alcanede! Fico triste, mas já estou acostumado, em casa de ferreiro espeto de pau.

adarfotoPA – Há reconhecimento a nível de outras localidades do país, mas localmente isso não se sente?

RJ – A nível local não. Na história destes quase 26 anos de vida da A.D.A.R. algumas pessoas ainda preferem fazer sobressair as coisas más! Se alguma coisa está mal, toda a gente fala! Se uma coisa é boa ou ótima, ficam indiferentes. Eu não tenho esse hábito, gosto de falar com todos, respeito toda a gente, mas também gostava de ser mais ouvido e respeitado. Reconheço que sou um pouco ingénuo, mas ao contrário do que alguns pensam, não sou parvo. Gostava que as pessoas que estão a ler esta entrevista pudessem meditar um pouco.

PA – O BTT é sem dúvida a grande aposta da A.D.A.R.

RJ – Sim. Mas já agora quero dizer, porque é a primeira grande entrevista destes 26 anos que nos fazem e a qual agradeço, que nós começamos por ter atividades culturais e recreativas. Participámos no início da nossa atividade nas famosas jornadas culturais da C.M.Santarém e nela organizámos espetáculos de dança, ranchos folclóricos, magia, veio cá a orquestra infanto-juvenil de Pernes, dirigida pelo Maestro Santos Rosa, o cinema e outras atividades. Não eram iniciativas da nossa responsabilidade, mas hoje temos o prazer de ver que existe um grupo de danças de salão em Aldeia da Ribeira e sinto muito orgulho nisso. Defendo muito estas coisas e considero que esse trabalho tem de ser elevado.

Já agora aproveito a oportunidade para dar os parabéns ao centro cultural e recreativo pela parceria que teve com o Portal de Alcanede, levando recentemente à terra um colóquio sobre associativismo e voluntariado e que achei extraordinário. Dou os parabéns à direção do C.C.R. Aldeia da Ribeira e à organização. Nós somos amigos, colaboramos e é necessário que todos saibam isso.

PA – Voltando ao BTT, nesta altura quantos atletas representam a associação?

RJ – Este ano temos 13 ou 14 federados. Porque em passeios de BTT ou a correrem individualmente com a nossa camisola, temos mais.

PA – Quantos associados existem?

RJ – Temos inscritos cerca de 150, mas já fomos muitos mais. Tivemos uma secção de caça e nessa altura eram cerca de 300. Já se falou muito no passado e este ano de 2011 vai ser um ano de reorganização. Vamos melhorar as nossas instalações para o bem – estar dos associados e familiares, vamos fazer uma limpeza no nosso campo de futebol, que foi um terreno doado pela família do Dr. Ramiro Líbano Monteiro e queremos reorganizar as coisas com os pés bem assentes no chão.

logoadarPA – Com que dificuldades se debatem atualmente?

RJ – Temos muitas dificuldades por exemplo com o transporte. Basta dizer que só pelo simples facto da equipa federar-se, esta época pagámos cerca de 1200 euros. Depois temos as deslocações, as inscrições nas provas, os seguros, etc. Felizmente temos tido apoio da câmara municipal, da junta de freguesia, do governo civil, do instituto nacional do desporto e do comércio local, concelhio e mesmo regional. Convém referir que também estamos filiados na associação de ciclismo de Santarém, no Inatel, na federação portuguesa de coletividades de cultura e recreio e na associação académica de Santarém.

PA – Que atividades estão previstas levar a cabo pela A.D.A.R. durante este ano?

RJ – Estamos a pensar fazer uma pequena festa de aniversário (Julho), será uma coisa simples, mas digna e feita com a colaboração dos “miúdos” do BTT, eu chamo-lhes miúdos porque os considero como filhos, eles já estão na casa dos vinte e tal anos. Gostaríamos de reorganizar a secção do futebol, a parte federada. Muitos “fugiram” para o Amiense, para a Académica de Santarém. Não sei se sabem, mas um dos melhores, se não o melhor jogador dos infantis da académica de Santarém, é de Aldeia da Ribeira! É o Manuel e é preciso que as pessoas saibam disso.
No BTT vamos participar na taça de Portugal e campeonato nacional de Downhill, no campeonato nacional do centro, também de Downhill, provas pontuais em Espanha, caso tenhamos dinheiro para isso, participação em provas de enduro e se possível em maratonas, na maxxis cup internacional (Gouveia e Fafe), além da participação em passeios a nível local.

PA – Muito obrigado pelas suas declarações ao Portal de Alcanede e felicidades para a A.D.A.R. são os nossos votos…

RJ – Só para terminar eu gostava de recordar às pessoas de Aldeia da Ribeira e de Alcanede, quando digo Alcanede digo freguesia, quais são os sócios fundadores da associação desportiva: eu próprio, Mário Filipe, Alfredo Jorge, Ricardo Rodrigues, Francisco Alexandre Inácio, Paulo Domingos, António Tiago, Manuel Alfredo, Amândio Dias Inácio, Nuno Fernandes, José Rodrigues Baptista, Paulo Nobre Cordeiro, João Carlos Godinho, Fernando Paulo Dias, Manuel Faustino Rola e o António José Santos.
Há muitas pessoas que não sabem quem foram os fundadores da nossa associação, outros já se esqueceram e deixo nas entrelinhas aquilo que as pessoas quiseram pensar.

PA – Uma vez mais, obrigado pelas suas declarações.

RJ – Eu é que agradeço esta entrevista. Obrigado.

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