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Domingo ,19 Maio, 2024
Artigos de Opinião

A Alegria Pascal da Cruz

“Exulta de alegria a terra inteira”, canta um hino pascal. A alegria da Páscoa está associada ao sacrifício da cruz e culmina na vida nova da Ressurreição. Pela cruz, Cristo venceu o pecado e a morte e oferece ao mundo a vitória do amor. Nela Jesus é “coroado de glória e de honra” afirma a Carta aos Hebreus (Heb 2, 9). Deste modo, a cruz sinal de humilhação e de sofrimento, torna-se motivo de exaltação e de glória de Deus que nos convida à esperança e à alegria.

É esta alegria pascal que desejo a todos os diocesanos. Uma alegria alicerçada na fé em Cristo que carrega connosco a cruz e a ilumina com a esperança da Ressurreição. Uma alegria solidária que está atenta às feridas e sofrimentos dos outros e os alivia do peso das dores. Uma alegria humilde de quem renuncia a si mesmo para poder amar como Jesus ama.
Na cruz cumpre-se, portanto, o que Jesus anunciara: “Quando for elevado da terra atrairei todos a mim” (Jo 12, 32). Ao longo deste ano pastoral, procuramos contemplar a cruz como expressão do amor de Cristo, a única beleza que salva o mundo. O papa São Leão Magno (séc. V), ao comentar estas palavras de Jesus, indica os frutos que alcançamos pela sua contemplação: “A vossa cruz é fonte de todas as bênçãos, origem de todas as graças, e por ela encontram os crentes na debilidade a força, na humilhação a glória, na morte a vida”.

Os frutos da Páscoa

A alegria da Páscoa é representada tradicionalmente pela cruz florida. É a alegria renovada como a da primavera em que a natureza renasce após o inverno e, na altura da Páscoa, se enfeita de flores e de rebentos de vida nova. Faz lembrar uma imagem da liturgia que celebra a cruz como árvore da vida. “Ó cruz fiel, árvore que produz, como nenhuma outra, folhagem, flor e fruto” canta-se num hino de sexta-feira-santa. Os frutos aparecem logo no Calvário: na conversão do bom ladrão; na confissão de fé do centurião romano; na manifestação de arrependimento de muitos dos presentes batendo no peito; nos sacramentos pascais do Batismo e da Eucaristia que dão origem à Igreja, simbolizados pela água e pelo sangue que jorram do lado de Cristo. Os frutos manifestam-se, em todos os tempos, na vida daqueles que acreditam no evangelho e vivem segundo o Espírito: a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a bondade…

“Cruz do Senhor és única esperança” (hino de Laudes). Num mundo de sofrimento e de ameaça da morte, de egoísmo e inveja, de conflitos e enganos, de desânimo e falta de sentido, a cruz do Senhor é uma esperança sólida de salvação. Por ela veio a alegria ao mundo inteiro, repete um hino de sexta-feira-santa. É a alegria do grão de trigo que cai na terra e morre para dar fruto, como diz Jesus no evangelho. Esta é a realidade profunda da vida humana. Não há fruto sem doação, sem misericórdia, sem sacrifício, sem renúncia a si mesmo. Por isso devemos erguer a cruz e anunciá-la ao mundo como sinal de salvação, como Moisés ergueu a serpente no deserto (Cf Jo 3, 14-15)

A alegria da Páscoa que nasce da cruz é uma alegria perene, forte, profunda. Assim dizia o grande teólogo e bispo Santo Atanásio (séc. IV) “O fruto desta celebração festiva não se limita apenas a um tempo determinado, nem a sua luz esplendorosa conhece ocaso, mas está sempre pronta para iluminar as almas daqueles que o procuram…Esta festa nos sustenta no meio das aflições do mundo; por ela nos concede Deus a alegria da salvação e da fraternidade”.

Que a alegria da Ressurreição acompanhe sempre e ilumine o percurso da nossa vida. Aleluia.

Santarém, Páscoa de 2011
+Manuel Pelino Domingues, bispo de Santarém

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