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Domingo ,19 Maio, 2024
Entrevistas

Luís Martins: “É fundamental fazer alguma coisa pela nossa terra”

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lmartinsTem 32 Anos, exerce a sua profissão na área da restauração/ Catering. Em entrevista ao Portal de Alcanede conta como desde cedo despertou para o associativismo. Actualmente, exerce as funções de Vice-presidente da Associação Recreativa e Cultural de Alcanede (A.R.C.A), embora tenha tido uma primeira experiência como presidente da Assembleia-geral. No percurso associativo também passou pela Sociedade Filarmónica de Alcanede (S.F.A) como suplente da Assembleia-geral. É bombeiro na Associação Humanitária dos Voluntários de Pernes, tendo desempenhado durante 18 anos, serviço nos BVA, casa onde espera regressar um dia.

11 ent luismartins 1Portal Alcanede (PA) – Como é que nasceu o seu gosto pelo associativismo?

Luís Martins (LM) – Antes de mais quero agradecer a oportunidade que me é dada ao fazerem esta entrevista. Quanto ao gosto pelo associativismo, ele já vem do berço. É uma herança do meu pai, que toda a vida esteve ligado à vida associativa.

Tive a minha experiência com apenas 11 anos nos bombeiros de Alcanede, mais a estorvar do que a ser útil à instituição (risos), mas foi muito importante porque ali recebi grandes ensinamentos que têm sido úteis na minha vida. Hoje em dia, não me vejo a não fazer parte de qualquer coisa.

PA – O que é preciso para ter sucesso na vida associativa?

LM – Vontade, disponibilidade. Disponibilidade para estar disposto a pensar constantemente no nosso semelhante, nas pessoas, no fundo na comunidade que nos envolve de uma maneira geral. É fundamental fazer alguma coisa pela nossa terra.

PA – Faz parte dos órgãos sociais da A.R.C.A desde 2005. Que balanço faz do trabalho desenvolvido nestes últimos anos?

LM – Claro que gostava de fazer sempre mais. Gostava que as coisas pudessem andar a uma outra velocidade, mas com todas as limitações existentes, quer financeiras, quer de dimensão da própria terra e da própria associação, limita-nos o trabalho. De qualquer forma a A.R.C.A está viva e recomenda-se, tem as portas abertas e já fizemos alguns eventos que muito nos orgulham.

PA- É comum de vez em quando, escutaram-se algumas opiniões de que “antigamente é que era bom!” Fica magoado?

LM – Não. Acho que às vezes depende muito do saudosismo de outros tempos. Sei que há vinte e tal anos a associação teve um teatro a funcionar e que praticamente envolvia toda a comunidade e que se fizeram trabalhos de grande sucesso, mas hoje em dia é muito difícil, as pessoas vivem muito mais para si mesmas, estão mais ocupadas e por isso, encaro e compreendo com alguma naturalidade muitas dessas pessoas que dizem isso.

PA – Já alguma vez sentiu vontade de “atirar a toalha ao chão”?

LM – Eu acho que esse pensamento de vez em quando surge e comigo não é excepção. Há alturas em que realmente as coisas são difíceis de levar para a frente, não correm como as tínhamos planeado, mas no final impera aquilo que temos de mais valioso, a vontade e o gosto que temos por aquilo que fazemos.

PA – A chamada “velha guarda” continua a apoiar os mais novos?

LM – Eu acho que poderia ser melhor. Ainda assim vai havendo quem dê apoio e transmita conhecimentos e cultura da nossa terra, da nossa comunidade. Felizmente que existem boas excepções de pessoas que há muitos anos colaboram na vida associativa e ajudam a impulsionar a juventude a fazer um bom trabalho.

PA – Por falar em mais novos, Alcanede pode ficar descansada com a próxima geração? Temos jovens em número suficiente com gosto pelo associativismo?

LM – É uma pergunta difícil. Julgo que em número suficiente nunca será, acho impossível. Temos de ter noção que estamos num meio pequeno e só dentro de Alcanede existem 4 ou 5 associações, independentemente do cariz delas e por toda a freguesia isso multiplica-se. Há menos jovens, mas os que existem demonstram muito boa vontade e nesse aspecto, poucos ou muitos, o trabalho aparecerá feito.

PA – Onde é que a A.R.C.A vai buscar apoios?

LM – Essencialmente nos eventos que organiza. A principal fonte de receita é a festa anual de Agosto que ajuda a equilibrar as finanças da A.R.C.A. A câmara de Santarém já nos ajudou na vinda de alguns artistas, a junta de freguesia de Alcanede também está ao dispor ao nível da logística e de patrocínios de algumas iniciativas.

PA – Hoje em dia, uma associação não deve pensar apenas na festa anual, é necessário durante o ano dinamizar com outras iniciativas. Além dos festejos de Agosto que outras actividades levam a efeito?

LM – São sempre menos das que gostaríamos que fossem. Mesmo assim, além da festa anual, o baile da pinha, o aniversário da associação e uma pequena festa pelos santos populares são ponto de honra e funcionam de forma, mais ou menos fixa anualmente. Depois, temos outras actividades que de ano para ano vão variando. Outra das presenças assíduas é na Expo- Alcanede. Não esquecendo as aulas de Ballet que ali desenvolvemos semanalmente, permitindo às crianças a prática de uma modalidade extremamente importante a vários níveis.

PA – Estamos num mês especial para a A.R.C.A (completa 32 anos de existência) e já no final do mês a efeméride é assinalada. De que forma?

LM – É verdade, a A.R.C.A já é uma senhora. Vamos assinalar a data de uma forma muito simples, vamos fazer um baile onde iremos cantar os parabéns à associação e ter um bolo para todos os que quiserem comparecer. È simples é verdade, mas os recursos não são muitos e às vezes mais que os recursos as condições logísticas também não são as melhores. Ainda não é aquilo que gostaria que fosse o aniversário da A.R.C.A, gostaria de um dia poder fazer a homenagem ao passado da associação e das pessoas que por lá passaram. Ainda não é desta, mas espero que em breve seja possível.

PA – Quantos sócios tem A.R.C.A?

LM – Temos cerca de 150, sendo que grande parte deles estão inactivos. Nesta altura não fazemos cobrança de quotas, até porque há um trabalho que ainda temos de desenvolver, chamando à A.R.C.A os seus associados.

11 ent luismartins 2PA – Durante 18 anos fez parte do corpo activo dos B.V.A. Porque saiu?

LM – Fui adjunto de comando dos bombeiros de Alcanede durante 6 anos. Por já não me rever naquilo que eram as orientações, quer da direcção quer do comandante, entendi que depois de não ter sido renovada a minha comissão no comando, onde já não estava a fazer nada de útil, era o momento de sair.

PA – Espera regressar um dia?

LM – Obviamente. Eu digo algumas vezes que gosto muito mais hoje da A.H.B.V.A do que gostava no dia em que para lá entrei.

PA – Porquê?

LM – Porque entrei lá com apenas 11 anos e mais pela aventura, pelo deslumbramento que sentia quando via os carros de bombeiros passar e de os ver fardados e, com o tempo aprendi a gostar e a respeitar aquela instituição. Está sempre presente em mim a vontade de regressar. Bem ou mal eu cresci com a casa e a casa comigo e por isso, todos os dias penso em voltar. Mas não da forma como tem sido dito por aí, que seria na condição de derrubar a direcção que lá está para assumir o comando. É completamente falso. Gostaria de voltar sim, mas para colaborar da forma que a instituição achasse mais útil, mas nunca enquanto forem validos os motivos que levaram ao meu afastamento.

PA – Foi pública a manifestação de descontentamento por parte da maioria do corpo activo em relação à actuação da direcção. Qual é a sua opinião ao trabalho da direcção?

LM – Não é positiva. Falharam em inúmeros pontos, o principal foi na postura que tiveram para com os bombeiros, sempre com uma postura arrogante, distante a que os bombeiros de Alcanede não estavam habituados de todo. Depois, porque acho que cometeram inúmeros erros ao longo dos seus mandatos. Obviamente que esta é a minha opinião e eu poderei estar errado.

Outro dos problemas foi que nunca estiveram presentes nas acções dos bombeiros na parte social. Não o tem que fazer naquilo que é a missão do bombeiro, mas tem de estar presentes e tem de ser eles a incentivarem os bombeiros a puxarem pela associação. Nomeadamente, no que diz respeito a acções de angariação de fundos e em todas as situações em que a associação esteja representada.

PA – E em relação ao trabalho desenvolvido pelos Homens e Mulheres que compõe o corpo activo?

LM – Acho muito positivo. Claro que nem tudo será perfeito, nunca será, mas este grupo de pessoas que compõe o corpo de bombeiros voluntários de Alcanede é muito coeso, muito competente e muito homogéneo. Constituído por pessoas que tem muito vivo o espírito de missão e de voluntariado.

PA – É do conhecimento publico que a Associação Humanitária dos B.V.A está a passar por dificuldades, financeiras e directivas. Teme o futuro dos bombeiros de Alcanede?

LM – É sempre preocupante. Mas temer acho que não. A nível financeiro grande parte dos problemas que existem são derivados de subsídios que lhes são devidos e não estão pagos. Haverá mais problemas que esses, mas essencialmente derivam daí.

Acho que com um grupo de pessoas que se empenhe é possível fazer um bom trabalho e recuperar rapidamente a situação financeira da A.H.B.V.A.

É sabido que foi construído recentemente o novo quartel e isso trás muita despesa. Essencialmente os apoios só vieram da população e dos empresários da região, além da câmara municipal de Santarém, mas o apoio que deveriam ter tido por parte do estado ficou aquém daquilo que lhes era devido. Acho que é uma questão de tempo e nada que põe em causa a estrutura.

PA – No passado dia 15 de Abril terminou o prazo para a entrega de listas concorrentes às próximas eleições. Não surgiu nenhuma lista candidata. O que é pode acontecer?

LM – Acho que o que tem de acontecer e penso já estar feito, é marcar uma assembleia-geral para discutir com os sócios o futuro da estrutura directiva. Depois, existem dois caminhos: Ou aparece uma lista (formada nessa assembleia) concorrente às eleições ou terá de se constituir uma comissão de gestão que consiga rapidamente encontrar um grupo de pessoas dispostas a dirigir aquela instituição.

Aproveito para apelar a todos os sócios dos bombeiros de Alcanede, sócios que também tem ficado aquém daquilo que é necessário. Percebe-se facilmente que as pessoas quando se inscrevem como sócias é com o intuito de ajudarem a instituição com a sua quota anual, mas o trabalho de um sócio vai muito para além disso. Eu diria mesmo, que para o orçamento dos bombeiros hoje em dia, a quota é o que menos importa no meio disto tudo.

As pessoas de Alcanede têm de perceber a importância que os bombeiros têm na sua comunidade. Não acredito que os cidadãos da freguesia de Alcanede deixem cair com esta importância. Sinceramente não consigo acreditar nisso.

O facto de ainda não haver uma lista tem a ver com algo semelhante em todas as instituições, não só da freguesia, mas em todo o país. Por regra não aparecem de uma forma espontânea pessoas para formarem listas e nos bombeiros sempre foi tradição a direcção cessante convidar elementos para pertencerem aos futuros órgãos sociais. Desta vez, não há lista nenhuma concorrente porque isso não aconteceu. Os órgãos sociais cessantes lá terão as suas razões, mas pela primeira vez, não arranjaram ninguém para se candidatar.

PA – Como vê o trabalho desenvolvido pelas outras instituições de Alcanede e restante freguesia?

LM – Em primeiro lugar, o trabalho desenvolvido pela Santa Casa tem sido extraordinário e quando aumentarem as suas valências com a construção do lar, maior será o contributo para a nossa comunidade. Foi uma instituição que esteve inactiva durante muitos anos e voltou a nascer, em boa hora isso aconteceu. Especialmente os mais idosos e os mais necessitados agradecem. Não fossem as pessoas da santa casa, muitos dos idosos nem sequer teriam alguém para conversar.

A S.F.A tem dado também um contributo extraordinário, nomeadamente no trabalho desenvolvido com os jovens. São muitos os jovens que tem passado pela filarmónica e que em conjunto com os mais antigos tem elevado o nome da S.F.A ao mais alto nível.

Além destas associações há outras com trabalhos notáveis por toda a freguesia. Por exemplo, a Associação Desportiva de Aldeia da Ribeira, que como o nosso Portal tem noticiado, tem também levado o nome desta região por todo o país e julgo que além fronteiras. Temos também os casos da Banda do Xartinho, que nesta altura estará a passar por algumas dificuldades, mas que tem muita importância na nossa região, o Rancho Folclórico das Viegas e muitas outras poderia referir.

PA – Luís Martins obrigado pelas suas declarações ao Portal de Alcanede.

LM – Eu é que agradeço e estarei sempre disponível para aquilo que for necessário e no que puder.

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