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Quinta-feira ,21 Novembro, 2019
Artigos de Opinião

2 de fevereiro – Dia de Nossa Senhora da Purificação – Padroeira de Alcanede e de Pernes

Neste fim de semana e um por várias comunidades do nosso País festeja-se Nossa Senhora da Purificação, a exemplo do que sucede nestas duas freguesias sendo Esta a Sua Protetora também designada por Senhora das Candeias ou Senhora da Luz.

Nós os que já andamos a percorrer os caminhos desta vida há alguns anos, nestas datas vem-nos recordações de tempos passados que me parecem interessantes de contar aos mais novos para que se vão perpetuando através das nossas memórias culturais colectivas que constituem a identidade desta região.

Ainda se diz com frequência que neste dia é «dia de fritar; nem que seja folhas de oliveira ou folhas de laranjeira» .

Ligando o religioso ao profano o sentido pretendido pelo povo era o de agradecer o bom ano de azeite, pedindo à Senhora que zelasse para que no ano seguinte acontecesse o mesmo pois este era o oiro da terra que alimentava toda a população. Da mesma forma também se poderiam fritar folhas de laranjeira pois também esta oferecia às gentes as únicas frutas frescas e sumarentas com que se podiam deliciar nos invernos rigorosos… pouco mais havia!


Então nas lareiras das cozinhas as mães, ensinadas por avós atarefadas faziam um polme de farinha temperada com leite e umas pedrinhas de sal, também poderia levar um ou dois ovos mas esses ficavam quase sempre guardados para entregar ao tendeiroque passava de porta em porta e que os recebia a troco de meias e outras peças de roupa que faziam falta para os homens levarem para o trabalho.

As filhas tinham o encargo de cortar folhas de laranjeira (em Alcanede usava-se estas), lisas e escorreitas, lavá-las e secá-las e entregá-las na cozinha onde eram preparadas por quem fazia milagres de uma simples folha e que há noite, com um bom café da borra era por todos saboreada em longas conversas em família à volta da lareira onde se aconchegava o corpo e a alma.

Filhoses? Sim, vieram mais tarde quando o trigo já era farto e se podia gastar a farinha pois já havia em quantidade suficiente para o pão alvo; é que nos tempos dos fritos das folhas de oliveira ou de laranjeira, comia-se broa de milho e a farinha de trigo era um luxo para gastar com parcimónia…

Hoje cumpri a tradição e fiz estes fritos em minha casa e desta forma procurei homenagear as tradições da minha terra e passaram-me pela memória e pelo coração todas as grandes mulheres que contribuíram para sermos o somos hoje e somos tão ricos por termos convivido com mulheres anciãs desta natureza.

Cada um pense nas que o marcaram e diga-lhe neste dia: – Obrigada Avó…, Tia…, Vizinha…, Madrinha… Senhora… da minha Terra!

Autoria: Helena Vieira


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